28.2.07

Desvio




A meio, o silêncio pára



grita



continua eco.

Ana maria costa
27de fevereiro de 2007
Publico um comentário que recebi de Alberto Roldán (Argentina) porque considero interessante o seu ponto de vista acerca da poesia.


La poesía no narra, no expone la anécdota de un sentimiento, no es jueguitoingenioso de rimas y palabras, sino un gigantesco NO a las formas triviales y ya acontecidas en el territorio de la escritura anterior. La poesía surge en el poema cada vez que el camino tuerce y entra a un otro lado deslumbrante, cuya puerta se ha abierto solamente a ese poeta singular. Laspalabras, la historia toda de la lengua en sus usos, se encienden yalumbran. La poesía le acontece a la lengua. Gracias, Ana María. Carlos


Tradução do Comentário de Carlos Alberto Roldán, pelo poeta e amigo Luis Monteiro:

A poesia não narra, não expõe a anedota de um sentimento, não é apenas o jogo
engenhoso de rimas e palavras, é também um enorme NÃO às formas tradicionais
e já conhecidas no campo de toda a literatura anterior. A poesia surge
no poema cada vez que o caminho destorce encontra um outro lugar
deslumbrante, cuja porta se abriu apenas a esse poeta singular. As
palavras, a hitória de toda a lingua em seus costumes, incendeiam-se e
iluminam.
A poesia acontece na lingua. Gracias, Ana Maria

segundo comentário (ainda sem tradução) de Carlos que também aconselho ler;

V En primer lugar, y como para que no te asustes, te digo que es un elogio admirativo muy grande.El texto mío describe los errores frecuentes de los poetas y el imperativo de originalidad que va mucho más lejos que de la forma o la ingeniosidad.Podríamos decir que la poesía acomete con los límites de lo decible, quiere arrancar voces más allá de donde alguna vez se haya dicho algo. Por ejemplo a la muerte o a la imposibilidad del pensamiento.El poeta es un agonista que trata de asomar su cabeza a la muerte, al vacío más allá inexpresable.Usted, amorosa criaturita, nos ha pegado un cross colosal con su poema. Lo hiciste...Bendita seas...Carlos



obrigado Luis e gracias Carlos
jinhos aos milhões a todos os que me lêm com carinho e nos últimos tempos nem os visito porque estou reduzida em tempo devido a um exame escolar. conto estar em pleno para a próxima semana.
gosto de escrever, por isso , escrevo porque gosto da mesma forma gosto do verbo gostar de vocês!
ana

27.2.07

Espera




Nos olhos
parados

o pó
assenta.

ana maria costa



24.2.07

Amigos

Amigos



A semana de 5 a 9 de Março será uma semana de leitura na escola Secundária João Gonçalves Zarco, antiga escola industrial de Matosinhos – Matosinhos - Porto

Todos os dias desta semana, no horário das 8.30 às 17.00, excepto à quarta-feira da parte da tarde, para quem puder, tiver interesse e gostar de participar nestes eventos culturais, a escola propõe uma aula diferente para os alunos – uma aula de leitura.

O convite é de ler aos alunos, algo que escreveu ou parte do livro que um dia leu e o marcou para a vida toda.

O tempo de leitura é de aproximadamente 15 m.
Depois, fala-se do motivo que levou a escolher aquele livro ou leitura.
O tempo da aula que restar fica para responder a questões colocadas pelos alunos.

Quem quiser participar pode falar comigo até 3ª feira dia 27 de Fevereiro.

Ao mesmo tempo e no mesmo espaço haverá uma feira do livro.
Os autores que estejam interessados em colocar os seus livros à consignação, na feira, devem falar comigo durante a próxima semana de 26 de Fevereiro a 02 de Março.

Fico ao vosso dispor.





Ana Mª Costa

22.2.07

Tédio


Espreito-me.

Vejo tripas

a dormirem.

Ana maria costa

21 de fevereiro de 2007

21.2.07

Sem ti



Sem ti

Sem ti a chuva continua a cair,

a pele do sorriso fecha a boca e

as águas correm e as nuvens passam.

Não as consigo apanhar, estou cansada de correr nas paisagens das fotografias.

Sem ti, as ondas do mar envolvem a areia e as gaivotas voam livres pelo céu.

O céu que preservas no frigorífico. Não entendes que

Sem ti, o tempo corre, as pessoas vagueiam e a existência quotidiana continua.

Eu continuo...

à espera sentada numa pedra nua com toda a noite, ao meu lado.

Mas sem ti eu paraliso, o meu corpo torna-se desnecessário, os meus sentidos são amortiçados.

No quarto da língua o calor faz amor com a minha espuma.

Enlouquecidos os sentidos saem pelo nariz para as minhas mãos, mas mesmo assim...

Sem ti não existe manhã, tarde, noite, minutos, horas, apenas um tempo…uma agitação,

Fica o espaço no cimo da torre da igreja onde os átomos badalam a química das pombas sobre a tua estátua

longe de mim que me gela o sangue e me provoca lágrimas oprimidas.

Encho almofadas de penas umas partidas e outras gastas de tanto te escrever e não responderes, sabes que

Sem ti não existo como corpo, como mulher, como afago, sou escuridão cativa deste mundo.

Vera Carvalho e Ana Mª Costa

20.2.07

Justiça

No dia,

que eu morrer

por causa do meu coração

peço, para que não o enterrem comigo.

Antes

o prendam e condenem

à morte.

Ana maria costa

04 de Fevereiro de 2007

15.2.07

Contagem

Morta.
Pó a pó a terra
conta-me na eternidade

ana maria costa

02 de fevereiro de 2007


14.2.07

Amigo fiel

Chego a casa
meu coração
o cão lambe.

Ana Mª Costa

Figura

12.2.07

Perspéctiva feminina


Peitos

binóculos do coração.

Mulher vê mais longe!

ana maria soares da costa
08.02.07

Pintura a óleo retirada do site


10.2.07

Aborto

Os dias em que sou mãe
os minutos caem ao chão.

Ana maria costa

09.02.2007


fotografia

7.2.07

Se pudesse


Se pudesse
comia as cores
falava arco-íris.
Ana maria costa
07.02.07

5.2.07

À noite




O fogo sai da lareira.
abandonado pelo frio
o corpo agasalha-se no calor.

Ana maria costa
04 de fevereiro de 2007



gravura de Bernardo Cid

1.2.07

Necrologia

Com os anos
a morte
de gato
de Pai
de vizinho
de flores.
No coração,
meu cemitério,
enterraram cruzes.

Ana Mª Costa

01 de Fevereiro de 2007


fotografia de Judith Tomaz

Minho actual tv