21.2.07

Sem ti



Sem ti

Sem ti a chuva continua a cair,

a pele do sorriso fecha a boca e

as águas correm e as nuvens passam.

Não as consigo apanhar, estou cansada de correr nas paisagens das fotografias.

Sem ti, as ondas do mar envolvem a areia e as gaivotas voam livres pelo céu.

O céu que preservas no frigorífico. Não entendes que

Sem ti, o tempo corre, as pessoas vagueiam e a existência quotidiana continua.

Eu continuo...

à espera sentada numa pedra nua com toda a noite, ao meu lado.

Mas sem ti eu paraliso, o meu corpo torna-se desnecessário, os meus sentidos são amortiçados.

No quarto da língua o calor faz amor com a minha espuma.

Enlouquecidos os sentidos saem pelo nariz para as minhas mãos, mas mesmo assim...

Sem ti não existe manhã, tarde, noite, minutos, horas, apenas um tempo…uma agitação,

Fica o espaço no cimo da torre da igreja onde os átomos badalam a química das pombas sobre a tua estátua

longe de mim que me gela o sangue e me provoca lágrimas oprimidas.

Encho almofadas de penas umas partidas e outras gastas de tanto te escrever e não responderes, sabes que

Sem ti não existo como corpo, como mulher, como afago, sou escuridão cativa deste mundo.

Vera Carvalho e Ana Mª Costa

3 comentários:

Amaral disse...

Participei gostosamente neste diálogo poético que me encantou...
"Sem ti" faz parte de cada momento e desnuda-o naquilo que se oculta em cada respiração ou em cada sentimento mais oprimido...

Bosco Sobreira disse...

Duas belas poetas, juntas a serviço do Belo!
A palavra ganha em qualidade, a poesia se oferece generosa para essas Senhoras da Palavra.
Que lindo, Poetas. Que lindo!
Um beijo afetuoso, dois, todos.

Vera Carvalho disse...

Adorei e agradeço mais uma vez a tua participação no poema:).Quando se dá a mão voamos para bem mais longe...
Um abraço e um beijo amiga.

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