13.4.07

Metamorfose


"quenteúmido pouso de poesias"

Anderson Santos


Dos acúleos o mel volta às folhas

no chão as camarinhas despem-se,

a língua mole escalda.

Água e pântano ou corpo rebentam

no frontispício desta calda.

O mel volta verme.

Ana Mª Costa
10 de abril de 2007

pintura

8 comentários:

Daniel Aladiah disse...

Tão fracturante, como lâmina...
Um beijo
Daniel

alice disse...

obrigada, ana maria ;) és uma boa amiga. um grande beijinho para ti.

sonhadora disse...

na magia da noite, o sonho reina ...em rios de beijos e carícias.

jorge disse...

metamorfose

em sílabas de silêncio
construo e desconstruo mundos
e hipotéticas paixões
como quem tece tecituras invisíveis
partituras fantásticas de sinfonias afónicas
com a perícia de quem traça horizontes fugidios
destras linhas que se escoam
na neblina matinal
densa
dissoluta
como dissolutos os dedos
no aceno das tuas mãos
em que me perco e me fujo
em afagos imaginados
em espirais incendiadas
subentendidas pautas sustenidas
chaves-mestras
de claves
e crescendos
enclaves
de enclavinhados sons mudos
sem resposta
plausível
que me furte
ao movimento perpétuo
da órbita oblíqua
dos teus braços
abertos
berços de estrelas
de embalar
pupilas-constelações
de signos sem futuro
sibilados ao ouvido
tranquilos
como um balanço circular sensual
a arrastar-me p’la mão
residual
a soltar-me de mim
centrífugo
longínquo e breve
arco infinito
hipnose larvar
solstício deste meu tempo
sem tempo
distante
desta fria metamorfose
de ficar
Jorge Casimiro

herético disse...

cores quentes...
e mordentes
no mel da calda
que escalda...

Mulher na Janela disse...

menina, que encanto, que doçura, e, ao mesmo tempo, que aspereza, que parto doído de palavras tão humanas!
um beijão, minha linda!

Filipa disse...

Aninhas, aqui estou eu outra vez... pela primeira a deixar um comentário, coisa que tão mal sei fazer...mas, enfim...

Gostei muito desta ilustração e muitíssimo das palavras.

Beijinhos

Bosco Sobreira disse...

Minha querida poeta!
A tua poética vem a cada dia confirmando a tua vocação para semeadora do Belo. A palavra certa, a concisão, a profundidade de teus poema fazem de você uma poeta extraordinariamente competente.
Um beijo afetuoso, minha querida Ana.

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