13.9.07

Et (texto não corrígido)

Quadro
Escrevo em forma de confissão porque não consigo carregar mais isto no meu peito...
O previsível aconteceu ainda no ano decorrente de 2007, antes de ter comprado a minha casa. Disse o destino que eles tinham que morrer , até o ET, o meu gato companheiro de sete anos. Tratava-o como um filho, um amigo, ao mesmo tempo considerava-o um conforto pelos mimos que dávamos um ou outro. Mas ele também tinha que morrer como os outros mais que viviam connosco na casa que moravamos.
Como haviam de se adaptar ao novo espaço? E como iam sobreviver àquela estrada que atravessa a Travessa que separa as duas casas? Eles iam morrer na mesma ao atravessarem a rua, depois alguém bateria à porta que nós abríamos encarando a notícia. E como velório consideraríamos levando um saco plástico do “Continente” para recolhermos as vísceras frescas e quentes dos asfalto e do paralelo com as mãos. Os homens do carro do lixo que passa à noite seriam os cangalheiros que apanhavam o bicho defunto.

As duas casa erguidas ficavam a escassos metros uma da outra no meio estava a rua ou a Travessa melhor dizendo.
Na Travessa movimentada de pessoas que passam nos seus carros e não respeitam os bichos, e em alguns casos nem os velhos ou as crianças. São os vizinhos que moram no início da Travessa, as duas casas são quase do final, antes de uma grande curva apertada e estreita.
Por isso os gatos talvez morressem antes de eu mudar de casa e nada podia fazer para evitar que fossem atropelados. Assim foi, um atrás do outro, morreram todos menos o ET, o meu gato. O Et era um macho branco que só tinha um olhinho e não tinha rabo. Surgiu-nos no dia do casamento do meu primo Tone que vive em Guimarães; chovia muito quando chegamos a casa nessa noite, estacionamos e ao sair do carro num som muito aflitivo ouvi o miar do gato. Ficaria ali à chuva se os meus ouvidos não estivessem apurados para este género de pedido de socorro, já não era a primeira vez.
Ele apercebeu-se da nossa atenção acabando por se mostrar a nós todo molhado e barulhento. Peguei-o ao colo, cobri-o com o casaco que trazia por cima do vestido de cerimónia e imediatamente o contacto com o seu pêlo molhado e o seu ronrom me conquistaram. Já mais calmo pudemos analisá-lo era ainda um pequeno gato a precisar de mãe e leitinho quente, estava a tremer de frio e tinha um olho doente, o outro de cor azul.
Quisera a sorte termos na altura uma gata siamesa com uma ninhada estavam alojados na lavandaria que fica ao fundo das escadas. A gata era vadia mas meiga e muito doce e passado um bocado depois de o ter cheirado e lambido o pêlo deixou o Et mamar. Ficamos a vê-los a todos a mamar e a mãe estendida contente fazia ronrom, como era bonito a relação dos animais entre si…. Depois, fechamos a porta e fomos dormir emocionados mas felizes.
Já tínhamos uns poucos gatos mas era mais, encolhemos os ombros e sorrimos.
O Et crescera com os dois olhinhos sãos não fosse a doença que muitos sofrem e ele tinha dois céus no rosto. Assim só tinha. No outro, o pus e a cor vermelha levou-o ao veterinário para ser visto e tratado. O médico disse-nos que ele tinha que operar e tirar o olho do Et,.O Et foi operado e, depois da operação, quando chegou a casa porque entretanto já dormia dentro de casa como toda a ninhada e mais gatos que à noite chegavam a horas da recolhida; dormiu no nosso quarto no nosso meio. No dia seguinte a mesma coisa e por aí fora começou a saber os nosso hábitos diurnos e nocturnos, estava tão humanizado que via a televisão com atenção, atento se um de nós se levantava ele seguia-o para onde fossemos. Por vezes, com ronron, outras vezes, silencioso. De amanhã ia para fora de casa fazer as necessidades no bocado de jardim que ficava ao lado da lavandaria e permanecia em cima do muro até o chamarmos para dentro. Um dia deixei-o cá fora porque não atendeu ao meu chamamento e eu estava atrasada para o trabalho. Mais tarde quando cheguei a casa do trabalho o Et não deu ao rabo como era habitual quando me via, estava triste e quieto. apanhei-o com cuidado mesmo assim gemeu , analisei-o, apalpando o corpo até chegar ao rabo e, pronto, vi que fora atropelado porque tinha o rabo partido. Lá foi o Et novamente para o veterinário ser operado desta vez ao rabo. Agora, tínhamos ficamos com um gato branco, um olho azul e sem rabo.
Os dias passavam e mais afeição ganhava ao gato, deixava-o ganhar terreno, comíamos os dois, ele no meu colo, quando saida de uma repartição da casa ele segui-me e miava parecendo que respondia quando lhe falava. Na rua ele parecia uma cabritinha aos pulinhos por causa da falta do rabo. Todos o achavam engraçado mas ninguém lhe ponha a mão, só nós.
Nas noites em que ele se tornava muito chato, buscando festas e mais festas não se apercebendo do nosso cansaço, ponhamo-lo fora do quarto e fechávamos a porta mas por pouco tempo, porque ele miava incansavelmente até lhe abrirmos novamente a porta, como recompensa emitia um ronron ainda maior e mais alto.
O Et não fazia peripécias nem era um gato especial para o circo mas era o gato que me consolava quando estava triste, lembro-me, que naquele tempo, eu era uma mulher muito triste, ele abraçava-me com as patinhas e dava-me tantas turras na minha cara que inevitavelmente me proporcionava momentos felizes, por isso, o considerava o meu melhor amigo.
Com a idade apareceram as doenças mas antes, foi novamente atropelado, desta vez pelo meu marido que ao fazer marcha atrás na carrinha de trabalho passou com a roda por cima dele. Ele não morreu nem teve nada aparentemente mas digo que foi naquele dia que vi um gato a chorar sangue. Escusado dizer que chorei tal qual o faz uma criança.
Os anos foram passando e o Et connosco.
O Et foi o que sobreviveu à mudança para a nova casa depois de um grande período de adaptação entre cães e gatos, o paraíso parecia estar à vista.

No princípio trazia-o no meu colo para não se assustar dos carros ou ser atropelado se viesse no meio da rua até se habituar a andar ao meu lado junto ao muro e com os cães não houve problema porque o aceitaram muito bem para nosso espanto porque foram criando separadamente um dos outros.


Tudo continuaria bem e o Et não precisava de morrer até ao dia em que alguém predestinou que ele não podia entrar na casa nova porque sujava tudo com urina mal cheirosa devido ao problema de rins que lhe apareceu fazia pouco tempo. Não entrando dentro de casa não podia comer no meu colo, nem dormir comigo, nem tomar banho, nem me escutar ou abraçar nas noites mais frias como fazíamos antes. foi depois dessa ordem que o Et teve que morrer nesse ano decorrente.
Ana Mª Costa
11.09.2007

1 comentário:

BoDy anD SouL disse...

Gostei! Triste pelo Et, mas gostei, eles todos partem os pobres bichanos. Ainda ontem chorei pelo Tiger, um gato lindo que teve que ser eutanasiado, tambem por viver fora, lutava com os outros gatos e de vez em quando aparecia todo escoriado e manco.Tinha Sida. A boca tava toda em ferida e chorava de dor. Foi triste voltar para casa sem ele, apesar de me chatiar o facto de fazer chichi pela casa, pois sendo macho, marcava o territorio, pois a Miu miu que era femia e vivia dentro de casa desde pequena, nunca o asseitou, erao enimigos desde que o trouze para ca...

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