8.1.07

(A )deus

Atravesso os dias com a sombra dos desertos.

Piso os caminhos do fundo da alma

com cactos dentro do nariz

e uma poça de lágrimas nas mãos.

O suor bebe a paciência dos canticos colados

na boca que recusa beber as lágrimas.

Disseram-me que nos oásis, as noites são obrigadas a dormirem.

Mas quem dera que eu fosse, antes, uma fera

habitante natural do (meio) instinto

não seria eu uma presa das horas das noites

cria de todos os dias.

©ana maria costa

07.01.2007

14 comentários:

legivel disse...

Retribuo e agradeço a visita que fez ao "Papel de Fantasia" e as palavras simpáticas lá deixadas.

Os desejos de uma óptima semana!!

Bosco Sobreira disse...

"Piso os caminhos do fundo da alma
com cactos dentro do nariz
e uma poça de lágrimas nas mãos."
Você atinge a perfeição com este Poema, Poeta. A cada visita aqui, me enriqueço mais com tua poesia, com a maestria com que vc. doma as palavras. E a beleza.
Um beijo afetuoso, querida amiga.

J T Parreira disse...

Ana, não tinha lido o comentário anterior, e de facto os versos que sublinhei e cito são os mesmos: «Piso os caminhos do fundo da alma com cactos dentro do nariz
e uma poça de lágrimas nas mãos.»
Surrealismo e poesia pura. Cada vez mais bela, como tu na foto.
Um abraço
João

Caçador de Palavras disse...

talvez todas as palavras brotem duma fonte de dor escondida no coração dum oásis perdido no deserto de quem somos...

...ou talvez não

beijinhos ;-)

alice disse...

bom dia, ana maria ;)

tinha lido este poema na lista e ficado a pensar se o publicarias aqui. ainda bem que o fizeste. é muito bonito. boa semana para ti. beijinho muito grande. alice.

auréllio disse...

bom não sei se existe a fonte da vida,mais os seus texto me anima e motiva sempre que venho aqui,pois possui uma riqueza unica,enriquece a nossa vida de sentimento...até mais...

Francisco Sobreira disse...

Espero, Ana, que o meu comentário apareça, para dizer que continuas a nos oferecer jóias valiosas como esse poema. Um jinho.

charlie disse...

Mais que poetiza, és um fluir do poema. Um rio de palavras com que enches a foz de mar.

Amaral disse...

O dia está sombrio e deixa sombrios os caminhos...
Também os estados de ser, também o brilho dos nossos oásis...
As horas das noites passam, muitas vezes, nos sonhos das nossas noites...

Bosco Sobreira disse...

Retorno aqui em busca da beleza de novas palavras e (re)encontro sempre a beleza plástica da Poeta. Um poema feito imagem...
Beijos, querida amiga.

herético disse...

excelente poetisa! "cria de todos os dias..." é muito belo...

Mulher na Janela disse...

lindo poema, Ana...Lindo nome, poesia...

Obrigada pela visita na minha janela!

Beijos...

Presença disse...

Olá Ana Maria,

A vida é marca muitas vezes por momentos de deserto... Mas afinal não necessario passar pelo deserto para poder chamar deserto???

Bjs

Vera Carvalho disse...

Bem, que posso eu dizer perante esta poesia!Ás vezes sentimos-a tanto que as palavras não saem com medo de estragar ou de apagar tal sentimentos.Tens aqui um lindo blog onde tudo flui em harmonia, a música, as imagens, as palavras...
Muito obrigada pela tua visita e pelas tuas palavras.
Um beijinho
Vera Carvalho

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