15.3.10

Desenhos de Júlio Fernandes

DESENHOS




1.



desse lugar de anjo, luz transparente,

dedos sobre tela, a natureza

no esboço do rosto, sobre o papel as cores…

e porque é teu o olhar

o belo cai na sensibilidade de quem lê

esse retrato de corpo em marcha

à meia sombra do sorriso – lugar marmóreo –

que é ainda no Silêncio do rio que a Voz cresce



ser-te assim contraste: meia face de eco

na tela das cores – olhas o traço da cera:

deste sangue/poema na sombra da árvore



[liberta-me ao palpável…



©JFráguas – Março 2010 [Desenhos]

24.12.09

Boas Festas

A todos os meus leitores e amigos o desejo de Boas Festas!

e jinhos

29.9.09

Convite

Ex.mos Senhores,

A AMANTE DAS LEITURAS EDIÇÕES, levará a efeito no dia 3 de Outubro, a sessão de apresentação do livro ANTOLOGIA POÉTICA AMANTE DAS LEITURAS 2009, a terceira que lança e a primeira em Edição própria, que terá lugar no salão da Igreja Paroquial de Paço de Sousa — Mosteiro de Paço de Sousa — pelas 16 horas, com as actividades conforme convite que endereçamos a V. Ex.as.
Desde já gratos pela atenção prestada, gostaríamos de recebe-los, nesse dia e local.
Cumprimentamos cordialmente
AMANTE DAS LEITURAS
obs: o meu blog ultimamente não deixa colocar imagens, por isso, os interessados em ver o convite devem manifestar esse desejo por mensagem para aqui (blog) ou para o meu endereço de e-mail.
obrigada.

7.9.09

Limites



Limites
Rainer Werner Fassbinder escreveu:

«É claro que uma pessoa apesar de tudo tem de se adaptar. Dê lá por onde der. Disso ninguém se safa. Atenção, adaptar-se não quer dizer pores-te logo a pensar de uma maneira diferente daquela que costumas pensar. Para te adaptares começas por reprimir os pensamentos. É como com os sonhos ou com os desejos, é possível a gente viver na sociedade, a sociedade até nos pode oferecer uma ou outra coisa. Tens é de saber ao que vais renunciar. Não se pode ter tudo, é óbvio. E se se pudesse também era demais, não era? No fundo, sabes, tu és responsável por tudo, se levantas a mão, és responsável por isso, ou quando falas, és responsável. És responsável por tudo.»



Da minha casa vejo as árvores com grandes galhos. Deles crescem folhas, umas, pequenas, outras, grandes. Todas as vezes que o sol lhes bate, avivam cores e a rua desce em sua direcção; as minhas janelas inclinam a sombra dos pássaros. Depois dos seus barulhos, tudo se parte em cacos e ferros no parapeito, a dois dedos da pouca terra que a floreira suporta, algumas flores, violetas e sardinheiras brancas, que atravessam a morte.
Nos limites das pedras a cidade escondia a idade, depois dos pássaros passarem e do ruído voltar a circular nas rotundas no inicio da rua, no inicio do desenho.
Quando era pequena achava que a minha língua era demasiado grande para me caber na boca, enquanto dormia. Todas as noites, antes de adormecer, media, com os dedos, a língua da minha irmã mais velha e, depois, a minha que, claro, era a mais curta, embora me parecesse o contrário! Como precaução, não fosse magoá-la, decidi que devia dormir com a língua fora da boca e, muitas vezes, acordava incomodada pela humidade da baba que caía para o queixo e, depois, para a almofada, molhando-a, por fim, antes de a secar. Com o passar do tempo a cola da baba na roupa incomoda a minha mãe que se farta de me ralhar; forçada pela minha mãe, aceito a ideia de que a minha língua tem o tamanho certo; só necessito de arranjá-la mais, isto é: curvá-la para caber toda dentro da boca ao lado dos dentes colada ao céu, depois da garganta, perto de ninguém e do desenho.
A seguir à língua foram as árvores e as suas folhas caídas, e as penas dos pássaros, que passaram antes do barulho, os cacos da morte das flores, o declínio do sol na rua e nas janelas; mais os monólogos a ficarem dentro da boca durante a noite. Ainda assim, mesmo a não sujar as roupas da cama. Não entendo porque que a minha mãe continua preocupada com o limite de coisa má que possa sujar o desenho; se o prendo com lábios lentos, a noite toda, para se ir adaptando até ao amanhecer!?


Ana Maria Jacinto
Setembro de 2009

27.8.09

Sem coerência

Sem coerência
Nas costas do dia, desce o meu corpo,
nasce supérflua a noite. Flutua.
Por vezes seca, outras molhada;
a passagem do orvalho é o meio quase peito,
próximo o dia, quase a noite.
Pertíssimo o beijo sonda
advir de peva sem me suportar nos ombros.

Ana Maria Jacinto

obs:ver biografia de Ana Maria Costa em breve neste blog.

20.7.09

Vampiros Genéticos













É no final de vida que o quase se encontra! A verdade aproxima-se calma e sem deslizes. Sabes, quando partires tens que deixar cá todas as lágrimas que te deram. Está quase a acontecer…, a cada dia que passa os olhos secam mais.

«Serás igual a mim», disse a mãe. Consegui sê-lo, até no despejar de lágrimas. Mas nunca me disse que iria ser mãe de gente, talvez fosse de algo no aspecto criativo; de algo que também corria o risco de abortar ou que me raptassem o filho depois de ele nascer e já saber ler e escrever. Ela disse que quando os olhos secassem devia ir livre.

Tudo pode acontecer como Ela havia pensado!, com a diferença de que no seu tempo tinha de suportar os maus tratos da vida sem se poder divorciar deles. Quase a amo.

Mãe, a meio da minha idade desobedeci e cortei metade do corpo. A consequência do meu desvio concentrou-se na mente na forma de abandonar parcialmente o passado. Ai que falta ele me faz para me lembrar o "todo" amor que te tinha.

Num corpo, o quase, ao lado, o pâncreas procura dados antigos de maternidade e encontra-os nas recordações que mais parecem infantis para repor o que tento reformar. No meio deste lixo, mais lixo, e os dados informam para não consumir mais doçura e escorar o excesso, senão secam-me os olhos mais cedo.

Com a separação, do pâncreas e do saco das lágrimas, a cabeça só se sente metade de dor. Imaginas, mãe, metade duma lágrima a escorrer pela meia face? …

Ai!, e eu que reconhecia as lágrimas como a minha sorte! Mas… que sorte! Sorte tenho porque essa, inteira, mais inteligente do que o pâncreas e a insulina, conseguiu fugir do corte do corpo.

Parece quase irreal, tudo isto…, como se fosse possível um corpo andar perdido no sangue, e a alma, escondida nele, pudesse duplicar-se quando me secarem os olhos e fruir novo sangue e um novo pâncreas em folha.

Ana Maria Costa

8.7.09

La casa y


La casa y los espejos que la viven
se levantaron con olor a lirios,
deshabitándole a mi pensamiento
esas maneras lógicas que tengo
de mirar apariencias o simetrías a contra ojo;
en mi plexo solar viven azogues
alimentando el marco a otros espejos,
espejos que he heredado de mi abuela
porque ella sabía mirar sin prisas los perfiles
y hablar tranquilamente con las diversas caras de la muerte
y aún esas muertes que me faltan vivirle
a las interminables facetas de mi vida.
Ahora comprendo esas partes que a ratos me disuelven,
esas zonas a piel de radicales donde el amor
es sólo una querencia pero no la pasión
que derramada podría enamorarme
el punto más difícil de la aorta
y abrirme al gesto que sabría despertarme
las ganas y los lujos entre una boca,
hambrienta boca que podría borrarle a mi estructura
la lujuria que sabe humedecerme la vulva
a consonancia en otras biología
que beben de mi cuerpo
y entre sus dientes
sostienen abiertamente mi dureza.

Alina Galliano@
Del libro...Los días que ahora tengo.
Trabajo en proceso.

29.6.09

AGENDA CULTURAL JULHO 2009


Momento um e dois


Momento um

Cerca o corpo
da tarde
a nudez de uma memória.

Ana Maria Costa

ou

Momento dois

Cerco o corpo
da tarde
na nudez da memória.

Ana Maria Costa

15.6.09


Se pelo menos para mim olhasses
outra vez com a tua forma de cor diferente.

Se outra vez!, mais um vez...
me desses as mãos com nós em cada dedo.

Se meu amor me untasses o corpo com óleo
do teu amor depois de um banho quente...

Se meu amor me amasses por ti e por mim
antes de me despedir deste corpo da caneta para o papel.


A verdade meu amor, é que o frio que sinto
é a ausencia do teu olhar
quando as tuas mãos
não me estão ligadas e
como não
as encontro
a tinta não sente
o calor que sai dos meus lábios entreabertos.

São variações de temperaturas
que a caneta procura suster
entre o teu olhar e amor
e o frio ligado ao corpo.

Ana Maria Costa

12.5.09

Dificuldade ou isso!

Dificuldade ou isso!

Dificuldade ou isso!

Há quem possua necessidade de se cobrir totalmente de ouro para respirar direito da narina esquerda.
Há quem frua o seu corpo conforme ouro coberto de carne e respire a cor do ar aos poucos para não doer muito nos pulmões de metal.
Há redução do batimento cardíaco que acaba por diminuir o corpo, depois o cérebro, depois a narina direita depois a carne e esse dano da facilidade na narina esquerda.

Ana Maria Costa

14.4.09

Momentos visuais



Goteja a linha do rosto da boca
a invisível calma
aparada nas mãos.

Ou

Goteja da boca linhas de rostos
Invisível calma
Aparada nas mãos.


Ou


Invisível calma
Rosto e boca
Aparados nas mãos.

Ana Maria Costa

9.4.09

Exercícios



Rosa

Planto pedaços da minha Mãe
no jardim: um deles
há-de nascer rosto numa rosa.

Ou

Rosa

Planto pedaços da minha Mãe
no jardim: um deles há
se nascer rosto numa rosa.

Ou

Rosa

Planto pedaços da minha Mãe
no jardim: um deles haverá
se nascer rosto numa rosa.

Ana Maria Costa

4.4.09

Rosa




Planto pedaços da minha Mãe
no jardim,
Um deles há-se nascer rosto numa rosa.


Ana Maria Costa
04.04.2009

29.3.09

Ana Maria Costa







Na minha vida dormem flores!
Na sombra do corpo
a árvore acorda simples.

Ana Maria Costa

17.3.09

17 de Março de 1966


"Nacimento

Ramos de silêncio vermelho pousam na palavra ANIVERSÁRIO. Embranquecida. Na madeira, Março carrega-me 24 horas: crava-me as asas nos acentos com pó; duro, fresco. Desfaz o meu corpo, a minha carne com um chicote e retira a raiz da língua. Jorra a frase, o poema, na mágoa da garganta.

Nascer nos nervos de Março!


Ana Maria Costa
17 de Março de 2009

13.3.09

Poema


Gostaria de tirar todo o frio que sinto dentro de mim,
deixa-lo nas tuas mãos para o deitares fora .
Amarga-me este emaranhado de pedras soltas dentro das costelas,
se me emprestares um pouco do teu calor podia derretê-las, expulsá-las na urina
Parece que as minhas temperaturas não se entendem com a minha alma e lutam constantemente
contra os ossos. Estimaria ter menos variações ocultas que o vento arroja nesta passagem para a Primavera…
já são tão poucos os ossos que te restam na paciência que o teu pensar torna-se vacilante.

Ana Maria Costa 12.02.2009

6.3.09

Março



Março
Morre Mãe! Abre uma cova perto da tua extinção no calendário, para que possas assistir inútil, só com um murmúrio de lágrimas, ao permitido pelo Demónio.Em Fevereiro aflige a proximidade dessa destruição. Mas sabes mãe, já não te abato mais com o que escrevo; é Março, o mês de voltar a nascer.A memória acelera para se encostar ao presente com o avançar dos dias de Março.Estou no lado da margem, perto à minha imagem retenho uma sensação inócua de que cada ano que passa algo se esquece do corpo e sobe lembrança para a mente. E depois cheira.Ri Mãe, ri! Já não alcanço a memória ou afasto as letras que te escrevo ou murmuro alto… Aumentam-me as veias nos antebraços, mais forte no direito. Tenho medo que o calendário me avarie os braços e as árvores e as flores e as aves não possam mais sair pelos dedos.Sei Mãe, talvez deva abandonar o teu corpo nas borbulhas da outra margem e camuflar o buraco que Março menciona perto da memória do calendário com uma ponte de suspiros débeis para a vida não cair enganada.
Ana Maria Costa
03.03.2009

No princípio O murmúrio passeava-se sem calendário;
ao escuro que tudo era,
berrou.
A luz obedeceu ao som ordenado:
«Lembra-te que és pó e ao pó regressas».
Impostas cinzas em Fevereiro
— o preambulo —
chora na ponta dos dedos, meigos.


Um coração de luz
nunca se apaga
— eu sei, mesmo que seja só a sabê-lo —
sou filho também
da dor
— posso eu esquecer-me disso?!!!! —


a mesma, SEMPER!


São lancinantes os momentos
atirados à terra de Março
que um ferro rasgou.


Os meus em dois efeitos
como margens do rio
nascente no coração
a fruir para o estuário da boca
pelo caminho dos olhos.


Sou nada
a nadar na dor
na mesma data.


JFernandes

6.2.09

Este ano em exibição no teatro próximo de ti

Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

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