5.8.08

Vera Carvalho


Foto Ricardo Furtado

A razão não foge ao coração


Hoje eu sei
o porquê do prazer de um raio de sol que
bate no rosto depois do aperto incontido da chuva
Sei das palavras loucas que o vento leva
para lá
das orelhas moucas
Sei o porquê
do primor das cores espalhadas nos seres e o facto
de tu já o saberes
Hoje eu sinto
a aspereza da areia que foge das mãos pela
maciez da água e percebo
porque entre terra e mar
não sobrevive mágoa
Sinto o calor arder-me na pele e o suor lamber-me a ânsia
e percebo
porque abaixo de beijos e lágrimas
há sempre um chão em redor
Hoje eu não sei
olhar não sei tocar
e não sei de tantas coisas
Mas sei o porquê do que sinto
e sei que a razão
não foge ao coração
Vera Carvalho
(para a razão do meu coração)
VERA CARVALHO

31.7.08

Gosto do título, do texto e do amigo.


esperando


Estão ali o dia todo, esperando. Que sopre o vento e arraste uma palha. Que brilhe o sol e aqueça a pele enrugada. Que se abra uma pálpebra. Que se quebre o sono. Que a partilha seja de duas palavras. Que as mãos se toquem, frouxas, nostálgicas da firmeza e do coração à boca.

A voz é uma planície em pousio.

Querem ver a terra abrir para lhe sentir o humo.
ESCRITO POR JOSÉ ALEXANDRE RAMOS

25.7.08

Um blog para ser lido*Nadir

http://nadirzenite.blog.com/

Permite-me esta honra*Jorge Vicente

aragem
não, não existe o silêncio
apenas penumbra que se expele
do silêncio do mar

das curvas das rochas e do canto dos pássaros,
que surgem desfraldados no nevoeiro seco

em círculos infinitos
em busca da água

e do peixe, sempre o peixe, que se esconde
no mastro das algas.

jorge vicente

Permite-me esta honra*Iara Maria Carvalho


se apanhei castanholas sangrentas
na rede verdosa de minhas saias infantis

se caiei minha cara sem lisura
de pó e pingente enfeitada

é que o futuro é promessa
e quem não se arma de máscara boa de arame

tem arranhões no coração trançados
e um tumor seco entre as pernas recolhido.




IARA MARIA CARVALHO

5º e 6º dia dos 11 para caminhar

Foto de Altino Costa

Foi no passado dia 15 de Julho, terça-feira, que concretizei o quinto dia dos 11 que tenho para caminhar.

Não vos disse nada nem a mim, nesse dia acordei, andei e andei.

Restos falam do corpo.

A mente está rápida. Em paz!

Amanhã será o 6º ou o 1º dia do segundo propósito que fiz a Deus.

Um, o primeiro já subiu para o céu.

Nada me ocorre para vos deixar até à minha volta.

Porque tenho que levar a carne

empilhada nos pés vou descansar,

antes que apodreçam os alicerces dos sonhos.

Aos amigos

Perdoem-me a ausência nos vossos blogs e corações.

Sinto que vos perco, mas não me quero perder a mim!

5.7.08

Porque ser inteligente não é só ter mente.


Foto de Altino Costa



Divagações:



Silêncio e letras conversam o mundo, eu passo no caminho.



Sei que vivo num mundo
onde o mal não existe,
mas também sei
que esse mundo
é só meu.

Solidão, domínios ou ela?



Peregrina para se cansar!?



Loucura, talvez, talvez,

talvez…,


um dia destes,


deixe meus pés falarem do que sentem e,


na forma de sacrifício os engula


pela medula até ao cérebro e,


então juntos combinem


o caminho para a minha vitória



Se(r) inteligente!




Ana Maria Costa


05.07.08

4.7.08

4ª de 11 caminhadas

Imagem Otília Costa
Fotografia Altino Costa

Caminho com silêncio

luz na boca.

Ana Maria Costa

03.07.2008


Versão Argentina sugerida por Carlos Alberto Roldán



imagem: Otilia Costa

Foto de Altino Costa

Momentos





todo o

sofrimento

estaca encurtado





cada som

uma dor que se cospe





alguma coisa foge

com o sangue dos pensamentos.



o lugar é flores.





o silêncio

se refugia raso



nos buracos das palavras que tentam

nomea-o.





existências

quase instantes pálidos no

meio da

frase



Ana Maria Costa

01.07.08

2.7.08

Momentos

Foto de Altino Costa
Há momentos que devemos encolher as lágrimas na frase, todo o sofrimento estaca encurtado.
Mas é neste momento que as palavras parecem pregadas na língua, e cada som emitido é uma dor que se cospe.
É neste momento que o cérebro procura a saída mais próxima do crânio e foge com o sangue dos pensamentos.
Por este momento toda a vida dura encurralada, entre palavras, única!
É neste momento que o lugar é flores.
É entre este momento que as vozes pingam letras e o outro que o silêncio se refugia raso nos buracos.
É por estes momentos que existências resumem instantes pálidos no meio da frase.
Ana Maria Costa
01.07.08

29.6.08

Produções "Amante das Leituras"

Foto de Altino Costa

III FEIRA DO LIVRO DA MAIA – 5 A 14 DE JULHO DE 2008 – PRAÇA DO DOUTOR JOSÉ VIEIRA DE CARVALHO

A Câmara Municipal da Maia, através da Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho, realiza a terceira edição da feira do livro que apresenta uma oferta de mais de 30 editoras com uma diversidade de mais de 5.000 títulos.

Apresenta ainda livros de fim de edição e saldos a partir de 1 Euro. Este evento oferece ainda diversos encontros com escritores, sessões de autógrafos, ateliers, espectáculos e outras actividades de dinamização e promoção do livro e da leitura.


A Amante das Leituras é uma empresa jovem, empreendedora e optimista. Criada em 2008. É seu objectivo promover e divulgar as Artes, o Artista e seus trabalhos. Porque acredita que, através das Artes são preservados e transmitidos os aspectos e os valores culturais das Nações e dos Povos, para as gerações futuras.
Com o tema As Artes têm linguagem Universal destina-se a todas as áreas do fazer cultural e a uma diversidade de espectadores .


Cuidar da Arte para que a veja divulgada no Mundo!

1º Evento dia 5 de Julho às 21.00

O evento "Poesia no Teatro e na Música" é o retrato de composições entre duas artes: a poesia dramatizada e a poesia na música e canto. Desta forma cumpre-se os objectivos da empresa que pretende difundir os autores, os seus trabalhos e Artes em diferentes frentes.

2º Evento dia 11 de Julho às 21.30

O evento " Desgarrada de poesia" baseado na dramatização de poesia de vários autores toma várias vertentes nas vozes dos actores. Pretende esta maneira de fazer arte, chamar a atenção do publico para a dinâmica que a poesia consegue oferecer do palco para a assistência.

Venha assistir!
Ana Maria Costa

27.6.08

Se

foto de Altino Costa (2007)
Se as veias crescessem como o cabelo
Teria que as acertar de tempos a tempos
O mesmo seria com os olhos, as unhas

Mas este mal não seria o pior de todos
pior seria ter que cortar as palavras
antes de chegarem à boca.
Ana Maria Costa

3ª das 11 caminhadas

fotos de Altino Costa

Não sei quantos kilometros são daqui ao meu destino, mas sei que passo em 4 cidades (Maia, Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia)para lá e para cá , entretanto passo oito horas a trabalhar. Saio de casa perto das 6 da manhã e chego perto das 21.30 da noite.

Porque creio na minha vitória, caminho.

Ana Maria Costa, a peregrina

19.6.08

A 2ª das 11 caminhadas


Porque creio na minha vitória.
Ana Maria Costa

8.6.08

Poema lido pela Carolina Rangel no dia Internacional da Criança


foto de Tino Costa
Fosse a criança a ensinar o valor do silêncio

e o carvão não seria diamante

mas simples palavras, palavra,

palavra que ouvisse pausas.


PALAVRAS. SILÊNCIO.

Palavras

calmas, sentidas e apreendidas,

e os ouvidos teriam outra entrada ou sentido

ou orifício Sem tímpano ou poluição ou confusão

para que a palavra entrasse e lapidasse o silêncio.


Mas isto se fosse a criança a

Ana Maria Costa

27.5.08

Filho Iara



Um dia que me acabe o papel para escrever Poesia

arranjo uma pedra e mais outra e outra. Pico nelas

causo barulho e ritmo num desenho.


E se não houver pedras, escrevo no chão

como se faz na praia, com o dedo fora do mar

depois da onda virar a página.
Com carinho para o filho da Iara minha irmã das águas.
Ana Maria Costa
26.05.2008

17.5.08

Antologia poética Amante das Leituras 2008


A edium tem o prazer de anunciar a edição da Antologia Poética 2008, Amante das Leituras, para o próximo dia 31 de Maio.Este ano, a Antologia contará com as participações dos seguintes autores:Alexandra Oliveira, Ana Maria Costa, Carlos Alberto Roldán (Argentina), Carlos Luanda, Denilson Neves (Brasil), Geraldes de Carvalho, Jorge Vicente, José-Augusto de Carvalho, José Dias Egipto, José Gil, Manuel C. Amor, Maria João Oliveira, Maria Rita Romão, Mónica Correia, Paulo Themudo, Samuel Gomes, Túlio Henrique Pereira (Brasil) e Vera Carvalho.

12.5.08

Apresentação do "Nascido Tarde" na FLUP

A Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto tem o prazer de convidar todos os alunos, professores e funcionários da FLUP para a apresentação do livro "Nascido Tarde" de Ana Maria Costa (aluna da FLUP)o no próximo dia 13 de Maio, pelas 15.30 horas no Anfiteatro Nobre.

O Livro será apresentado pelo artísta plástico e escritor Paulo Themudo.

A apresentação da autora será feita pela escritora Mónica Correia.

Entrada livre

Ana Maria Costa

6.5.08

Homenagem à Fiu


Epitáfio da Fiu


Neste momento, sei que te estou a magoar porque não gostas de coisas tristes mas a verdade é que não consigo deixar de pensar em ti. Um dia destes sem me dizeres que partias, senti nas partes intimas um lume já meu conhecido, um sinal que o meu corpo diz quando alguém que se encontra ligado ao meu coração, parte para longe.

Passei no consultório do médico curiosa e preocupada. Depois fiquei pior com a sua atitude quando disse que não precisava de fazer análises à minha temperatura ou tirar sangue ao coração. Mandou-me embora com o diagnóstico a explicar que a labareda que eu sentia eram as cruzes dos túmulos que forçavam a entrada no corpo, para se enterrarem no coração.

Saí do consultório mais pensativa e mais preocupada do que quando lá entrei. Questionei-me. O que vai ser de mim no futuro, se morre no mesmo dia mais do que uma pessoa de quem gosto? Será que nesse dia vou arder toda?


Esqueci-me de dizer ao Sr. Dr., que não era da especialidade de pediatria, que entretanto, o sinal passa de baixo para cima para onde está uma criança. Que sou eu. Estou por detrás dos olhos, faço-os accionar e do lume passo a sentir água. Se calhar talvez deveria consultar um sapador de bombeiros ou um oftalmologista?

Fiu

Tudo o que te digo pode parecer coisa exagerada ou um disparate e fingimento. Porque só nos vimos uma vez, lembras-te? Daquela vez que me mostras-te a tua infância e eu a ti a minha, a que estava nos meus olhos!
Gostamos tanto uma da outra e do que repartimos que quiseste ficar comigo para sempre e entraste no meu outro olho. De uma forma fácil como todas as crianças costumam dividir as suas coisas fizemos a nossa divisão, tiramos um olho para mim, outro para ti.

Nesse dia, chegamos à conclusão que víamos e chorávamos as mesmas coisas. Agora que decidiste partir, desço ao meu coração para junto do teu epitáfio, Num saquinho de veludo bordeaux levo o teu olho porque lá está escrito "Volta sempre! Traz o olho e flores". Atrapalhada acrescentei por baixo da tua frase, “Procurei as flores mas não as encontrei! Não achas isso um mistério?”



Ana Maria Costa
04.05.08

Minho actual tv