12.5.09

Dificuldade ou isso!

Dificuldade ou isso!

Dificuldade ou isso!

Há quem possua necessidade de se cobrir totalmente de ouro para respirar direito da narina esquerda.
Há quem frua o seu corpo conforme ouro coberto de carne e respire a cor do ar aos poucos para não doer muito nos pulmões de metal.
Há redução do batimento cardíaco que acaba por diminuir o corpo, depois o cérebro, depois a narina direita depois a carne e esse dano da facilidade na narina esquerda.

Ana Maria Costa

14.4.09

Momentos visuais



Goteja a linha do rosto da boca
a invisível calma
aparada nas mãos.

Ou

Goteja da boca linhas de rostos
Invisível calma
Aparada nas mãos.


Ou


Invisível calma
Rosto e boca
Aparados nas mãos.

Ana Maria Costa

9.4.09

Exercícios



Rosa

Planto pedaços da minha Mãe
no jardim: um deles
há-de nascer rosto numa rosa.

Ou

Rosa

Planto pedaços da minha Mãe
no jardim: um deles há
se nascer rosto numa rosa.

Ou

Rosa

Planto pedaços da minha Mãe
no jardim: um deles haverá
se nascer rosto numa rosa.

Ana Maria Costa

4.4.09

Rosa




Planto pedaços da minha Mãe
no jardim,
Um deles há-se nascer rosto numa rosa.


Ana Maria Costa
04.04.2009

29.3.09

Ana Maria Costa







Na minha vida dormem flores!
Na sombra do corpo
a árvore acorda simples.

Ana Maria Costa

17.3.09

17 de Março de 1966


"Nacimento

Ramos de silêncio vermelho pousam na palavra ANIVERSÁRIO. Embranquecida. Na madeira, Março carrega-me 24 horas: crava-me as asas nos acentos com pó; duro, fresco. Desfaz o meu corpo, a minha carne com um chicote e retira a raiz da língua. Jorra a frase, o poema, na mágoa da garganta.

Nascer nos nervos de Março!


Ana Maria Costa
17 de Março de 2009

13.3.09

Poema


Gostaria de tirar todo o frio que sinto dentro de mim,
deixa-lo nas tuas mãos para o deitares fora .
Amarga-me este emaranhado de pedras soltas dentro das costelas,
se me emprestares um pouco do teu calor podia derretê-las, expulsá-las na urina
Parece que as minhas temperaturas não se entendem com a minha alma e lutam constantemente
contra os ossos. Estimaria ter menos variações ocultas que o vento arroja nesta passagem para a Primavera…
já são tão poucos os ossos que te restam na paciência que o teu pensar torna-se vacilante.

Ana Maria Costa 12.02.2009

6.3.09

Março



Março
Morre Mãe! Abre uma cova perto da tua extinção no calendário, para que possas assistir inútil, só com um murmúrio de lágrimas, ao permitido pelo Demónio.Em Fevereiro aflige a proximidade dessa destruição. Mas sabes mãe, já não te abato mais com o que escrevo; é Março, o mês de voltar a nascer.A memória acelera para se encostar ao presente com o avançar dos dias de Março.Estou no lado da margem, perto à minha imagem retenho uma sensação inócua de que cada ano que passa algo se esquece do corpo e sobe lembrança para a mente. E depois cheira.Ri Mãe, ri! Já não alcanço a memória ou afasto as letras que te escrevo ou murmuro alto… Aumentam-me as veias nos antebraços, mais forte no direito. Tenho medo que o calendário me avarie os braços e as árvores e as flores e as aves não possam mais sair pelos dedos.Sei Mãe, talvez deva abandonar o teu corpo nas borbulhas da outra margem e camuflar o buraco que Março menciona perto da memória do calendário com uma ponte de suspiros débeis para a vida não cair enganada.
Ana Maria Costa
03.03.2009

No princípio O murmúrio passeava-se sem calendário;
ao escuro que tudo era,
berrou.
A luz obedeceu ao som ordenado:
«Lembra-te que és pó e ao pó regressas».
Impostas cinzas em Fevereiro
— o preambulo —
chora na ponta dos dedos, meigos.


Um coração de luz
nunca se apaga
— eu sei, mesmo que seja só a sabê-lo —
sou filho também
da dor
— posso eu esquecer-me disso?!!!! —


a mesma, SEMPER!


São lancinantes os momentos
atirados à terra de Março
que um ferro rasgou.


Os meus em dois efeitos
como margens do rio
nascente no coração
a fruir para o estuário da boca
pelo caminho dos olhos.


Sou nada
a nadar na dor
na mesma data.


JFernandes

6.2.09

Este ano em exibição no teatro próximo de ti

Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

Este ano em exibição no teatro próximo de ti

Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

Este ano em exibição no teatro próximo de ti


Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

Este ano em exibição no teatro próximo de ti


Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

Este ano em exibição no teatro próximo de ti

Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

Este ano em exibição no teatro próximo de ti

Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

Este ano em exibição no teatro próximo de ti


Fotos dos ensaios da peça de teatro “António Carlos” Tragédia em 3 actos de Rodrigo Almeida e Sousa, encenação de Júlio Couto— Uma produção Amante das Leituras

24.1.09

Júlio Fernandes [Caminhos II]

bebé



[Caminhos II]


Parte I

1.

Ainda que procure a eternidade beijando o papel com
pensamentos, fechando as palavras em capas vistosas
e títulos sonantes, para que alguém fale com elas; ainda
assim, também eu e elas estamos sujeitos ao esquecimento
que o tempo lança sobre as coisas.
E se hoje são verdade e cantam o momento,
hão-de perder a sua arrogância — a evolução continua
e o papel estagna apenas o… — Agora!

2.

Tenho pena do que escrevo — o silêncio diz mais
e melhor através do som dos ecos que te entram
pelos olhos, enquanto me bebes e apalpas
na mesma cama. Se frente ao espelho a tuas letras
se abrissem, mais um coração bateria nas mãos
do tempo! Há que chorar e rir e, depois do parir,
há que criar e fazer florir — nem que seja a dor!

3.

O tempo voa no mesmo compasso em que a morte
caminha na avenida dos nascidos. Foge entre os dedos
em cada sopro, ou batida de coração. Rega-se
nas veias da vida sequioso de eternidade. Não fecha
os olhos e a todos cobre na mesma toalha de vermes
onde derreto o que sou. Mesmo as palavras
esvaecer-se-ão no mesmo compasso em que as folhas
amarelecerão e ficarão caladas no eco de consciência…
— Para o bem ou para o mal? — Não sei!

4.

Ainda o peso dos dedos na areia fina e o mar
a sussurrar o sal às nuvens brincalhonas de Outubro.
Entre os círios do rosto — a espuma de onda
rebentada em meu corpo pela agitação do vento
de teus lábios. Os ecos, a entrar pelos olhos,
caem na borda da praia, arrastados pelo interior
da paixão da água sobre seu leito de areia
pingando nos ouvidos.

5.

O medo: essa coisa de não confiar
aos dedos os pensamentos
nem a estes o coração. — O medo!

Será que ele também ama a liberdade?…

Às vezes penso eternizar-me no que escrevo.
Haverá uma moda para o que digo?, sim. Acredito!
Mas passará como todas as modas da história da razão.
— Merda!

6.

Ainda que todas as faces da Verdade fossem minhas,
teria medo do que penso, do que digo, do que faço;
pois que também eu vejo as coisas através do meu sol.
E será que ela é maior do que a dos outros? E se o fosse,
não aumentaria as minhas responsabilidades — pois que
conhecendo-A me é exigido dá-lA a conhecer.

De facto, sou o primeiro obstrutor da Verdade.
Mondo-A seguindo os meus desejos —
os meus propósitos — em vista aos meus fins.
Na notoriedade julgo-me deus!; mas apenas existe
um Deus e só Ele sabe o porquê do Caminho
para onde me atira — que hei-de forçosamente seguir,
embora, às vezes, pense que não!
— E lá chegado, dentro da minha circunstância, que dizer?!

7.

No esotérico conhecimento das coisas que aborrecem,
cai o tempo na vaidade, atiro a melancolia pró papel
com azedume e o amor com toda a luz
das prostitutas de viela — taberneiro que sou
servindo ambiguidades às mão cheias…

8.

Como bombeiro tapo o tempo com a ponta
duma mangueira jorrando — sem respostas
verdadeiras — o sol dos momentos
em que as mãos tecem o conforto,
as ideias, os sentimentos.

Embalo o tempo ao sabor das chamas
que me corroem. No interior duma panela
de caldo — as batatas grelam nas hortas
entre trovoadas e apertos de terra morta
que nem o estrume consegue alimentar —
ainda assim, teimo as verdades que me parecem luz
e, sofregamente, atiro às pedras a incompreensão.
Talvez um dia saiba parar, reflectir e dizer:
— Também eu borro de nada uma folha de papel,
deitada em teu corpo!

9.

Ainda que soubesse escrever com singularidade,
que importa isso, se não leva a alma nem o corpo
como estandarte? — Beijo as pedras como quem beija
cães cobertos de peçonha e sigo rumo a um veterinário
artístico sujo de tinta — reflexo de alma em cada tela
da "arte" que vou compondo.

Pudessem as letras advogar e as palavras
julgar os actos de escrita e há muito estaria
enclausurado, com guardas severos guardando
as portas por onde saem as prostitutas
do pensamento!

10.

E quando a minha caneta acabar, compro outra, prometo!
Sem borrar papel não vejo o sol, nem a beleza das nuvens
quando choram a neve que me leva contra os muros da berma.

É assim mesmo, mando compor o carro ou compro novo.
Sem andar à deriva é que não posso e não acredito em porto
seguro entre as palavras que me asfixiam por dentro
e aquelas que me fazem extasiar na panela onde se coze
mais um pedaço insosso da vida que caminha ligeira
para os braços da terra húmida — que não se importa
nem rejeita a carne putrefacta, antes a consome…
às gargalhadas!

Júlio Fernandes

14.1.09

Maria João Oliveira in avozquenaosecala


Foto retirada do site: http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda042003c.htm
Perante este interminável e sangrento conflito, em que as crianças (mais de 50% da população!) são as principais vítimas, não nos habituemos ao horror! Aquelas que sobreviveram ao massacre estão aterrorizadas, desnutridas pelo bloqueio, viram os seus pais mortos sob os escombros ou ser humilhados e torturados... E algumas recorrem já ao suicídio!
Que o terrível sofrimento destas crianças não nos deixe, de modo algum, indiferentes! Temos uma arma: a palavra. E espaços como este, onde as vítimas inocentes, de ambos os lados, têm lugar. Obrigada!
Um abraço para todos os Poetas que não se calam.

Maria João Oliveira

Carlos Luanda in Amante das Leituras

Foto retirada do site: http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda042003c.htm

Conheço por experiência própria cenários de guerra iguais e piores.
Posso enviar-lhe fotos que tirei em Angola. São centenas e haverá
decerto milhões semelhantes às minhas respeitantes a todos os
conflitos armados.
Independentemente das razões invocadas com que se pretendam justificar
as atrocidades, existe um facto histórico na génese desta tensão
permanente.
Israel foi dado ao povo judeu na sequência da segunda guerra mundial.
Um acto de justiça histórica? Talvez!
Mas para sermos consequentes, teríamos em Portugal que dar a terra aos
árabes e estes por sua vez dá-la iam aos Visigodos e estes ainda aos
Romanos e estes aos Tartésios, Fenícios e Cartagineses.
Teriam de vir-se embora do Brasil, uns para África, outros para a
Europa, outros para a Indonésia etc.
Está a ver o disparate...não está?
No entanto foi o que se fez com Israel. Criou-se um Estado Judeu na
sequência do Holocausto da II Guerra. Mas para um acto de tamanha
justiça, fez-se um de igual injustiça: Expulsou-se todos os habitantes
das suas casas, das suas terras das suas raízes, e empurrou-se todo um
povo para o que se tem agora: terrorismo.
E o que faz Israel? Responde com o mesmo terrorismo.
É o quadro político e apenas isso.
Pergunto o que faria qualquer de nós se um dia nos aparecesse um
figurão à porta das nossas casas acompanhado de polícia e nos pusesse
na rua?
A nossa revolta violenta quiçá, seria terrorista?
O assunto é muito delicado e não tem sido gerido correctamente por Israel.
Não seria melhor pergunto eu, que os Israelitas fossem em demanda
policial dos mandantes terroristas em vez de mandar bombas e mísseis
para um território exíguo e pobre mais parecendo um campo de concentração?

Carlos Luanda in Amante das Leituras

Manuel C. Amor in Amante das Leituras

Foto retirada do site: http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda042003c.htm
Cupidez

em nome de uma qualquer fé,
nem sempre aparelhada
de sóis e luas,
estéreis paroxismos
apontam a plenitude do infinito.

Afinal
só mesmo a morte deterá
o percurso
de todo aquele
que mamou ao peito de mulher

e seria tão fácil despertar o amor.


Manuel C. Amor in Amante das Leituras
Horta/Açores
07-01-2009

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