5.9.08

Um comentário que agrada conhecer.

Visitem este link e depois leiam o comentário.

http://www.leialivro.sp.gov.br/texto.php?uid=17870

Já fui reler e comentar,

É muito bom existir um espaço como o "Amantedasleituras" que interage
e potencia outras listas e que assim reforça esta teia de cultura, que
embora assente sobre um formato virtual tem toda consistência
palpável como tem sido demonstrado nas publicações e eventos produzidos.

Carlos Luanda

Obrigada caro moderador da lista Amante das Leituras que também contribui para que tal aconteça tal como diz. 

jinhos

Ana Maria Costa


4.9.08

Paradoxos


Um dia hei-de ser dono dos meus próprios acontecimentos. Hei-de acontecer como borboletas no tempo de regressar. Anoitecer num pedaço de luz. Acontecer-me na alegoria das coisas reais e na alegria das coisas poéticas. Por enquanto. Faz de conta. Faz de conta que as palavras embora desmaiadas servem para servir para alguma coisa. Por enquanto. Conto-me contos antes de adormecer. Embalo versos. Algarismos capazes de medir o peso de uma voz com cálculos de tabuada. Por enquanto. Peço ao corpo para não falecer antes de mim. Porque entre parábolas e retalhos em véspera de poesia abundam vestígios de vida baseados nos factos verídicos das tuas ilusões.
Entre parábolas. O cataclismo. De repente instante de querer ser contente…
Entre parábolas...
Quem nunca habitou um sonho por engano à beira-mar ou à beira do silêncio? Quantas toneladas mil de gente à mercê dos vazios rasgaram unhas mas aprenderam a soletrar o Inverno à distância de uma fotografia?
Paz de conta que estás em faz contigo mesmo! Como tu também eu trocaria um poema por uma flor. Os meus dois braços por um só abraço. Os meus lábios por um beijo. Os olhos por um olhar qualquer. Seja lá de quem por. For mim tanto faz. Faz de conta que o amor é o engano maior que as palavras. Estas palavras. Desordenadas e mordidas e encardidas e trocadas e erradas. Mas. Alegres em sua fértil e ténue exultação. Como tu. Trocaria. Esta casa. Esta cadeira. Esta cadeia. Esta cama. Esta repetição. Este equívoco de escrever sem seguir a gramática interior de cada sentimento.
Porquanto não escrevo línguas. Analfabeto-me em linguagens. O ponto de partida para entender os meus enganos não é a partida. Não é a quebrada ou a rachada. É a chegada. De quem nunca soube partir para sempre!
Partir. Um vidro. A alma. Partir. As cordas vocais de um grito. Partir seja lá para onde for. Seja lá com quem for. Seja longe ou preto. Seja de rosa ou azul a cor do mundo. Se já te esqueceste de nós. Se já aconteceste no calafrio que os lençóis não conseguem calar.
O espelho. Agora só. Onde me demoro a sair. O espelho. Agora sou eu a serenidade e o contentamento à porta do que ele reflecte. Agora só sementes. A terra. O sol. O sal e o sonho. Sou mar se mentes com mentiras que já não me fazem sorrir. Sou os impensamentos de alguém. Os tambores cardíacos batendo em voz alta no peito. Agora só. As borboletas. Pedaço de luz. Coisas reais. Coisas poéticas. Coisas. Contos que fazem de conta. Algarismos. Parábolas. Vestígios. Sementes. A partida. A chegada. Em véspera de poesia!
O espelho. Agora sou. Asas rastejando bem alto sobre a terra húmida que já não falo. Um dia hei-de ser. Uma noite. Um dia. Como quando o fotógrafo nos disse para sorrir e esqueci.
O espelho. Mostra-me sempre o lado imperfeito. As partes íntimas dos pensamentos que o corpo está proibido de exibir.
Entre parábolas.
também eu trocaria um poema por uma flor. Os meus dois braços por um só abraço. Os meus lábios por um beijo. Os olhos por um olhar qualquer. Seja lá de quem por. For mim tanto faz. Faz de conta que o amor é o engano maior que as palavras. Estas palavras. Desordenadas e mordidas e encardidas e trocadas e erradas. Mas. Alegres em sua fértil e ténue exultação. Como tu. Trocaria. Esta casa. Esta cadeira. Esta cadeia. Esta cama. Esta repetição. Este equívoco de escrever sem seguir a gramática interior de cada sentimento.
Porquanto não escrevo línguas. Analfabeto-me em linguagens. O ponto de partida para entender os meus enganos não é a partida. Não é a quebrada ou a rachada. É a chegada. De quem nunca soube partir para sempre!
Partir. Um vidro. A alma. Partir. As cordas vocais de um grito. Partir seja lá para onde for. Seja lá com quem for. Seja longe ou preto. Seja de rosa ou azul a cor do mundo. Se já te esqueceste de nós. Se já aconteceste no calafrio que os lençóis não conseguem calar.
O espelho. Agora só. Onde me demoro a sair. O espelho. Agora sou eu a serenidade e o contentamento à porta do que ele reflecte. Agora só sementes. A terra. O sol. O sal e o sonho. Sou mar se mentes com mentiras que já não me fazem sorrir. Sou os impensamentos de alguém. Os tambores cardíacos batendo em voz alta no peito. Agora só. As borboletas. Pedaço de luz. Coisas reais. Coisas poéticas. Coisas. Contos que fazem de conta. Algarismos. Parábolas. Vestígios. Sementes. A partida. A chegada. Em véspera de poesia!
O espelho. Agora sou. Asas rastejando bem alto sobre a terra húmida que já não falo. Um dia hei-de ser. Uma noite. Um dia. Como quando o fotógrafo nos disse para sorrir e esqueci.
O espelho. Mostra-me sempre o lado imperfeito. As partes íntimas dos pensamentos que o corpo está proibido de exibir.
Entre parábolas.
Eduardo Peixoto

31.8.08

O logotipo das Produções Amante das Leituras


Amigos
Amante das Leituras inicia a sua actividade editorial com grandes expectativas servindo os autores com respeito e qualidade.
Espero por vós.
Ana Maria Costa

18.8.08

Cores

Pintura

Encosto o ouvido
no ar.
Ouço transparência.
Ana Maria Costa

17.8.08

Outros lados onde a poesia flui

Pintura de Rosina Wachtmeister


assim me aconteces
a poesia meu amor é uma velha tirana
pobre de nós que nos fixamos numa nuvem
à espera que o céu desate o nó do poema
e por um instante (ilusório)
até nos sentimos coroados de inspiração
puro engano
a poesia está em ti
que não és verso obrigatório
nem um colapso divino
digamos que és chão e paraíso
numa mesma pessoa
e a forma como te esfregas nas palavras
torna a tua pele num raro manuscrito.
quando me perguntas em carta fechada
se eu quero voz ou carne
respondo-te com uma inexplicável sede de absoluto
quero parcelas mínimas da tua carne macia
seremos
corpos fundidos
numa oficina de escrita.


Alberto Serra

A tímidez é um chamamento que os amigos conhecem!


(ou da loucura da poesia)

Estive doente

a poesia é essa doença sã
essa lúcida loucura
que salta dos abissais da alma
irrompe das entranhas do coração
e ganha corpo e vida e luz e imensidão
e se multiplica
no coração dos homens

Doente dos olhos,

a poesia é cega
infinitamente cega
uma enorme monumental estranha cegueira
a que ilumina
o mundo
a que dá olhos aos que não sentem
luz aos que não falam
voz aos que não ouvem
a que se oferece guia
aos deserdados os perdidos os descaminhados
pelo mundo

Doente da boca,

a palavra e a boca
a boca e a pedra
a pedra e o som
o som e o silêncio
o silêncio e a noite
a noite e o dia:
o dia-a-dia da poesia
em busca do poema que se esconde
no riso e no choro
no belo e no abjeto
no claro e no escuro
do mundo

Dos nervos até.

não há poema no vazio
não há poema sem sangue
não há poema sem nervos

Estou em repouso,

o repouso do poema
é uma miragem:

a poesia nunca se recolhe em paz
nunca se deixa pacificar

a poesia é a alma em ebulição
o coração aos berros

(como uma virgem à espera
do êxtase que nunca vem)

Não posso escrever.

a poesia dispensa as máquinas
a poesia prescinde da mão

pouco importa à poesia
a mão que grafa
a mente que opera

(pouco importa)

não importa
a escolha cerebrina de palavras
a escolha ditada
a escolha não-escolha

(a poesia escrita
- muitas vezes -
é uma traição
desavergonhada à poesia)

Eu quero um punhado
De estrelas maduras,

ah! a metáfora!
ah! essa divina loucura
(a mais pura a mais virginal a mais divina criação humana)
a
que nos leva ao escape da danação de ser
ser imperfeito
ser (eternamente) inconcluso
ser em eterno sendo

ah! a metáfora
a sacra mentira
o refúgio
do inferno da mentira
o abrigo
do desespero de existirmos num mundo
de falsas verdades
de falsas ilusões
de falsas invenções de ser

Eu quero a doçura do verbo viver.

a poesia nos devolve a exata dimensão do
que somos
e nos revela a inesgotável imensidão do
que podemos ser
(sendo)

©Bosco Sobreira

(Os versos, em verde, são De um louco anônimo - transcrito por Caco Barcelos na reportagem Crime e loucura, publicada na extinta Folha da Manhã, Porto Alegre, RS.).
Para ler o poema na íntegra, clique aqui.

14.8.08

Carlos Luanda

fotografia de Sílvia Antunes

Viver é viajar.

É a paisagem sempre a mudar.

E eu a mudar com ela.

Por vezes abro a janela.

e pego aqui e ali

Uma pétala,

Um beijo.

Um raio de sol

Um desejo...

Levo-os comigo.

E vou iluminando

Sempre que de vez em quando

a Paisagem

não é nada

de tudo aquilo

que vejo...

*
Carlos Luanda

Filipa Rodrigues


fotografia José Araújo

Sendo tu

Vivo dentro de mim com a idade que me deste

sou pedra e toque
gelo e água

vício terno
veneno suave
vaidade doce.


Calada a minha voz teima em obedecer-te

palavra e som
erva daninha
nota deslocada

e na noite perene, silêncio sem retorno.


Filipa Rodrigues

13.8.08

Júlio Fernandes


Fotografia de Helder Teixeira



ESPLENDOR


Hospeda Natureza:
Noite e seu negro manto.
Mansamente,
Sobem sustâncias interiores d’agente,
Murmúrios de toques,
Sons vibrados.
…
Incandescentes elevam-se letras,
Adormecem linhas suadas.
Pousio de palavras,
Silêncio!
…
Claridade de agitação ressoa,
Sobre o taciturno xaile,
Abrindo sexteto de sentidos.
Cultivo de palavras,
«Corpos»!
…
E no vórtice das letras subidas,
Ecos sussurram o Âmago!
Maravilhoso…


©FERNANDES, Júlio A. B. — Agosto 2008.

11.8.08

Declamação da minha poesia



Amigos



Durante esta semana na rádio Lidador da cidade da Maia nos horários: um minuto a faltar para as 19h e às 24h, o Diseur Júlio Couto está a declamar algumas das minhas poesias.

Podem ouvi-las directamente da rádio na frequência 94.30 ou podem aceder ao link http://www.radiolidador.pt/ e seleccionar "ouvir rádio".



Digam coisas!



jinhos

--
Ana Maria Costa
http://ana-maria-costa.blogspot.com
http://amantedasleituras.blogspot.com
www.livrariaamantedasleituras.com
http://eventosamantedasleituras.blogspot.com

5.8.08

Vera Carvalho


Foto Ricardo Furtado

A razão não foge ao coração


Hoje eu sei
o porquê do prazer de um raio de sol que
bate no rosto depois do aperto incontido da chuva
Sei das palavras loucas que o vento leva
para lá
das orelhas moucas
Sei o porquê
do primor das cores espalhadas nos seres e o facto
de tu já o saberes
Hoje eu sinto
a aspereza da areia que foge das mãos pela
maciez da água e percebo
porque entre terra e mar
não sobrevive mágoa
Sinto o calor arder-me na pele e o suor lamber-me a ânsia
e percebo
porque abaixo de beijos e lágrimas
há sempre um chão em redor
Hoje eu não sei
olhar não sei tocar
e não sei de tantas coisas
Mas sei o porquê do que sinto
e sei que a razão
não foge ao coração
Vera Carvalho
(para a razão do meu coração)
VERA CARVALHO

31.7.08

Gosto do título, do texto e do amigo.


esperando


Estão ali o dia todo, esperando. Que sopre o vento e arraste uma palha. Que brilhe o sol e aqueça a pele enrugada. Que se abra uma pálpebra. Que se quebre o sono. Que a partilha seja de duas palavras. Que as mãos se toquem, frouxas, nostálgicas da firmeza e do coração à boca.

A voz é uma planície em pousio.

Querem ver a terra abrir para lhe sentir o humo.
ESCRITO POR JOSÉ ALEXANDRE RAMOS

25.7.08

Um blog para ser lido*Nadir

http://nadirzenite.blog.com/

Permite-me esta honra*Jorge Vicente

aragem
não, não existe o silêncio
apenas penumbra que se expele
do silêncio do mar

das curvas das rochas e do canto dos pássaros,
que surgem desfraldados no nevoeiro seco

em círculos infinitos
em busca da água

e do peixe, sempre o peixe, que se esconde
no mastro das algas.

jorge vicente

Permite-me esta honra*Iara Maria Carvalho


se apanhei castanholas sangrentas
na rede verdosa de minhas saias infantis

se caiei minha cara sem lisura
de pó e pingente enfeitada

é que o futuro é promessa
e quem não se arma de máscara boa de arame

tem arranhões no coração trançados
e um tumor seco entre as pernas recolhido.




IARA MARIA CARVALHO

5º e 6º dia dos 11 para caminhar

Foto de Altino Costa

Foi no passado dia 15 de Julho, terça-feira, que concretizei o quinto dia dos 11 que tenho para caminhar.

Não vos disse nada nem a mim, nesse dia acordei, andei e andei.

Restos falam do corpo.

A mente está rápida. Em paz!

Amanhã será o 6º ou o 1º dia do segundo propósito que fiz a Deus.

Um, o primeiro já subiu para o céu.

Nada me ocorre para vos deixar até à minha volta.

Porque tenho que levar a carne

empilhada nos pés vou descansar,

antes que apodreçam os alicerces dos sonhos.

Aos amigos

Perdoem-me a ausência nos vossos blogs e corações.

Sinto que vos perco, mas não me quero perder a mim!

5.7.08

Porque ser inteligente não é só ter mente.


Foto de Altino Costa



Divagações:



Silêncio e letras conversam o mundo, eu passo no caminho.



Sei que vivo num mundo
onde o mal não existe,
mas também sei
que esse mundo
é só meu.

Solidão, domínios ou ela?



Peregrina para se cansar!?



Loucura, talvez, talvez,

talvez…,


um dia destes,


deixe meus pés falarem do que sentem e,


na forma de sacrifício os engula


pela medula até ao cérebro e,


então juntos combinem


o caminho para a minha vitória



Se(r) inteligente!




Ana Maria Costa


05.07.08

4.7.08

4ª de 11 caminhadas

Imagem Otília Costa
Fotografia Altino Costa

Caminho com silêncio

luz na boca.

Ana Maria Costa

03.07.2008


Versão Argentina sugerida por Carlos Alberto Roldán



imagem: Otilia Costa

Foto de Altino Costa

Momentos





todo o

sofrimento

estaca encurtado





cada som

uma dor que se cospe





alguma coisa foge

com o sangue dos pensamentos.



o lugar é flores.





o silêncio

se refugia raso



nos buracos das palavras que tentam

nomea-o.





existências

quase instantes pálidos no

meio da

frase



Ana Maria Costa

01.07.08

2.7.08

Momentos

Foto de Altino Costa
Há momentos que devemos encolher as lágrimas na frase, todo o sofrimento estaca encurtado.
Mas é neste momento que as palavras parecem pregadas na língua, e cada som emitido é uma dor que se cospe.
É neste momento que o cérebro procura a saída mais próxima do crânio e foge com o sangue dos pensamentos.
Por este momento toda a vida dura encurralada, entre palavras, única!
É neste momento que o lugar é flores.
É entre este momento que as vozes pingam letras e o outro que o silêncio se refugia raso nos buracos.
É por estes momentos que existências resumem instantes pálidos no meio da frase.
Ana Maria Costa
01.07.08

Minho actual tv