20.10.07
Desafio da semana de poesia da lista Amantedasleituras
TEMA: "Resistes à alquimia/de converter lágrimas em corais."
Manuel C. Amor, in: - “Evocação abrilina”
01
A princípio era de se esperar...
Que os fios escurecessem no tempo
No drama e na comédia
No silêncio e sorriso da ventania
Era de esperar...
Que os cabelos caíssem e clareassem
A cada nova estação
Onde das pedras brotam as gotas de Jó
Quando os dias eram todos iguais as noites...
Onde as noites sem lua alcançam a Iluminação
02
acolhe a incerteza na lágrima,
deixa que a alquimia prossiga
e converta os sentidos
vês os corais além da linha d'água?
poetas também emergem dos poemas
e são mais que episódios metafísicos
03
em gestos alquímicos me transmuto
na nicotina sépia do retrato
aveludada pele dos teus ombros
em que me busco
líquida figura de orvalho
que a manhã esquecerá
04
o que não era de se supor,
da lágrima fica. a vontade
vive
nos corais.
05
Nunca resisto às lágrimas
trazidas dum coração de coral.
Lapidam o ausente rosto.
06
Se fosse possível descrever
A audácia dos homens:
– apenas uma lágrima –
bastaria
Preencheria o mar
dos orgulhos
de corais vencidos
07
Ai o lamento dos vencidos!
Desses de quem a História não fala
Condenados aos porões e ao chicote...
Não são gente, são uma massa
de carne quase morta.
A quem devo a vida?
Não ao amo que me despreza.
Não à clemência da sua espada
Apenas à vontade
duma lágrima minha
que guardo na ponta da adaga.
Para o dia em que liberta
voe em céu pelo rosto
a minha luz reconquistada!
;;;;;;;
Índice de autores:
01 – Rosangela Aliberti
02 – Sónia Regina
03 – Jorge Casimiro
04 – Sónia Regina
05 – Ana Maria Costa
06 – lmc
07 – Carlos Luanda
ABITTAR o poeta dos grilos
Gestos fáceis
Uma palavra amiga
Um ouvido atento
A atenção dispensada
Na hora certa
Em que se precisava
E o que precisamos
Às vezes é apenas
De atenção
Sentir que fazemos parte
Da parte humana
Do planeta
Coisas simples
Um sorriso sincero
Um olhar amigável
Precisamos de tão pouco
Às vezes para sermos felizes
E nem sempre as temos
E quando as temos
É tão fácil dizer:- Obrigado!
ABittar
poetadosgrilos
Soube que fizestes anos e esta é a minha surpresa, atrasada, mas sentida.
PARABÉNS AMIGO
Análise crítica de Maria José Limeira
pinturaCIÊNCIA DOS VERSOS
Um intertexto de Francisco Coimbra & Ana Maria Costa
(Análise crítica)
Maria José Limeira
Bem, amigos, esta é a primeira vez que tento analisar
criticamente uma intertextualidade nas listas,
lembrando, contudo, que intertextualidade não é
simplesmente copiar, com outras palavras, o poema
alheio,e assiná-lo como seu. É tomar o texto de outrem
como “mote” e criar um texto novo, dentro daquele
assunto. Copiar texto alheio é plágio, apropriação
indébita, e crime que dá cadeia.
(“Intertextualidade: Na elaboração dum texto
literário, a absorção e transformação de uma
multiplicidade de outros textos.” – Dicionário Aurélio
Século XXI).
Estes textos de Francisco Coimbra e Ana Maria Costa
enfeixados sob o título geral de “Ciência dos versos”
(belíssimo título!) têm tudo a ver entre si, sem
cópiar um ao outro.
Apenas os autores tomam como base o “rio” em toda sua
pujança e verdade – e em linguagem poética a toda
prova – onde tudo é ora “riso” ora “águas correntes”,
e a palavra “rio” transforma-se, pelo menos em
Francisco Coimbra, numa brincadeira, onde o eu-lírico
é isto e/ou aquilo, ora sendo e ora deixando de ser...
Já em Ana Maria Costa, o discurso é circunspecto e
filosófico.
Em resumo: trata-se de justificar a Poesia.
Poesia aqui vira paroxismo.
Estes versos são de uma criatividade exemplar e
cumprem a verdadeira função da Poesia, onde linguagem
e sentimento se completam.
Em ambos os textos, fala-se de Poesia e da força
emotiva que a impulsiona.
No primeiro poema, o discurso é amplo, mas
“brincadeiro”.
No segundo, a autora, ao resumir o enunciado à
concisão máxima, interioriza, sem fugir do tema, o que
seu parceiro exteriorizara.
Observem, por exemplo, os elementos “rio”, “pedra”,
“mar”, “chuva”, que Francisco Coimbra usa para dar
sentido e coerência aos seus versos.
Quanto ao texto da autora Ana Maria Costa, são
“silêncio” e “alma” as forças construtivas que
orientam o discurso poético, sem perder de vista o
tema original proposto pelo outro poeta.
Gostei muitíssimo!
(Maria José Limeira é escritora e doce jornalista
democrática de João Pessoa-PB)
.............
CIÊNCIA DOS VERSOS
Francisco Coimbra / Ana Maria Costa
rio-me dos que levam a Poesia muito a sério,
rio-me sem fazer barulho...
eu que sou rio para deixar correr
as palavras rumo ao mar
rio-me como uma pedra na margem
onde é mais lenta a carícia
das águas onde me rio
de ser água e evaporar-me
de cair e ser chuva
de me infiltrar
na consciência dos versos
Abraços,
Francisco Coimbra
(Amante das Leituras)
...........
Quando choro a poesia, despejo-a de mim
para o silêncio.
Mas o peito limpo das águas
é como uma pedra vazia
que flutua na minha alma.
Ana Maria Costa
12 de Outubro de 2007
13.10.07
Sob a epígrafe de Francisco Coimbra
rio-me sem fazer barulho...
Francisco Coimbra "
Quando choro a poesia, despejo-a de mim
para o silêncio.
Mas o peito limpo das águas
é como uma pedra vazia
que flutua na minha alma.
Ana Maria Costa
12 de Outubro de 2007
10.10.07
Desafio da semana da lista de poesia "Amantedasleituras

imagem
"Há mais cores no arco-íris do que os o lhos enxergam..."
Denilson Neves; in – "que me importa"
01
Não quero!
Simplesmente não quero!
Sei que me mentem
quando por toda a parte
a ilusão de luz que se sente
é essa ditadura das cores
que as cores impõem à gente.
Alguém sabe o que é a cor?
Não quero essa resposta
das frequências
explicadas em nanométricas inteligências.
Nem fracções de energia,
ondulatória ou pulsantes.
Não! Essa explicação é a sua armadilha
O recinto de pensamento
Onde nos encerra convencidos
que sabendo coisas das cores,
O mundo de cores está entendido.
Ilusão!
As cores não são o que são,
São o que elas querem que pensemos
quando pensando nelas o mundo prendemos
nessa jaula de cores
que pelo facto de serem as que nós vemos
ao sermos escolhidos por elas
julgamos ser elas, as que nós escolhemos.
02
Quais são as faces de um galho torto?
...o que tem por detrás da ovelha negra
como cheira a orelha de um morto?
Qual a cor da palavra sorte
O que traz comoção a voz?
O porquê do vazio no abdome...
Por que há dor ao encarar o sol?
Quais as músicas que fazem brilhar a íris
ao se sorrir em silêncio
com a visão da formação de um arco-íris?
03
coroados céus em luzes multicores
profética passagem alada imagem
nela o homem não governa
o destino que nos mortais impera
tempo não tem limite de idade
nem alma ausente verbo provir
nada detém a cor do arco íris
no trajecto supremo da vontade
equações dos céus são taças cheias...
e nossos olhos jamais atingirão
a plenitude de cores feiticeiras
se não escutar primeiro...o coração!!!
04
Um dia saberemos onde toca o teu pé, os helicópteros
andam nos céus a ver o transito. Os noticiários repetem
o arco íris dos factos dos que se aproximam, compensa
menos levar a sério o desenvolvimento económico, que
me importa saber dez vezes que vai chover na tua terra?
Nesta radiografia a ausência total de respostas fica
o corpo celeste na mata da cruz, ouve, ouve-te
05
Que me importa as cores do arco-íris!
Elas são poucas para alimentar meu ego.
O ego do poeta é insaciável;
ele mergulha nos cristais do imaginário
para buscar fragmentos marginais
e transformá-los, concretizá-los,
dar alma concreta ao que existe de belo
em cada fragmento dos fragmentos.
A humanidade é um aglomerado de fragmentos
girando no espaço terra,
em torno de si mesmo,
buscando a rota que leva à origem de tudo.
Por isso não me importa as cores do arco-íris.
Importa muito mais as cores dos olhos Amanda
que é sangue do meu sangue,
fragmento que dará continuidade à espécie,
í é o arco-íris quem arrebata
todas as tonalidades dos olhos/coração
de Amanda e outras amandas
que povoam este Planeta terra,
cheio de luzes,
cheio de arco-íris.
cheio de vida.
06
… quando enlaçados, bem juntos, comunhão intensa,
dois corpos se unem, partilhando quereres perfeitos,
esvoaçando por céus,
fazendo dos sonhos,
meus,
imaginando outras cores,
nos entregamos à voragem
da paixão que nos consome,
deixando de ser homem,
no corpo duma mulher,
nos braços que recebe
desejos que são teus,
uníssonos, em amálgama,
clímax se produz
no recesso duma cama,
objecto que se inflama,
lençóis que nos cobrem
maravilhas que vemos,
momentos que temos,
amor que se partilha,
no meio de tantos caminhos,
carícias afagos, beijos,
incontáveis torvelinhos,
montes de encantamento,
graal, cálice santo, receptáculo,
vale da criação,
sem obstáculo,
eterno feminino,
adoração,
menir gigante,
exaltação,
erectus penetrante,
entoação de encanto,
um hino,
rendidos, lado a lado, prostração,
profunda adoração,
cores que modificam,
se esvaem, intensificam,
alucinação,
confusa viagem,
magia que transforma,
sede que inebria,
noite que se faz dia,
acalmia, tão grande fome
recebendo toque divino,
formando união de facto,
conjugação dum acto
que nos seduz, reluz,
nos conduz num arco-íris
em coche feito de prata,
enxergamos coloridos mais densos,
tons de profunda luxúria,
apensos,
no gozo, na formosura,
no prazer que possuímos,
teus olhos que são meus,
nos meus que Deus me deu,
quando choramos, quando rimos,
no âmago que completa,
vida que recomeça,
prolongamento do que somos,
quando nos entregamos,
quando fomos
Deuses, num vasto Olimpo,
dois Mundos no infinito,
quase rogo, quase afirmo,
naquela entrega sem enganos,
cores tão lindas, diversas,
vários tons, tamanhos,
enxergados num curto hiato
por olhos que nunca viram,
quando riram,
choraram… sentiram!!!
07
não te projetes
nas cores
fora do pó
um engodo
como doces
desmancham-se
maya
água diluída
ao longe,
além dos olhos
apaga-se
na memória
um momento
chique
08
você vê? Que lindo é o arco!
Reparo então
na íris; dos teus olhos
sobressai essa cor brilhante; especial.
Coroação
suprema da vida; o instante similar
brilho matinal: quando
todas as cores se anulam
dançando, funda-se
- anil de mundo - até
ao cerúleo sepulcral
09
serão os sonhos
as cores do arco-íris que não vejo?
O verde grama dos olhos esperançosos,
o Urucum do sangue vivo dos marginalizados,
o azul alice da paz ?
Sinto-me adormecida
na cegueira da exactidão da Terra
e não vejo para além do vítreo.
10
não te projetes fora do pó e das uvas
se os sonhos deixaste no reino doce
da dona do mundo, princesa
das mil cores para além dos olhos
enovelado em espuma pessoal
meu vigor tocou-a, bálsamo,
o coração alegre
Índice de autores:
01 – Carlos Luanda
02 – Rosangela Aliberti
03 – Ísis
04 – José Gil
05 – JASilva
06 – Manuel Xarepe
07 – Sónia Regina
08 – Luís Monteiro da Cunha
09 – Vera Carvalho
10 – Sónia Regina
4.10.07
Desafio de poesia da lista "Amantedasleituras"

de Xavier Zarco, in: "aguarda a seara a ceifeira"
01
Brilhas mais que o sol
entre as folhas do tempo
retalhado.
O grito nos intervalos
e gargantas de ninguém.
Posas nua
e é o meu olhar
que pelo teu corpo esvoaça.
E no instante que não quer que passe
empurra o tempo...
02
... efémera borboleta, parpadeante, quando se avista,
mancha de tinta numa paleta, adeus constante que se afasta,
contrasta,
campos vazios,
transparências coloridas, asas que foram desafios,
searas sem ceifeiras, semáforos ineficazes
em ruralidades fugazes,
sinfonia que se esfumou,
dum tempo que já passou,
canção da terra numa crisálida desiludida,
longe do ciclo perfeito, constante renascer,
casulo em que a lagarta se cerra,
retornando, porque perdida,
ínfimo apontamento em que se enterra,
papoila esvoaçante que não despega,
hesitante, fechando belezas,
seus brios,
promessa que foi relance, curta existência,
formosura arrastada por um sopro,
alcance,
brilhando ao entardecer,
beijo silencioso,
adocicado,
leve,
macio,
recomeço do que acaba,
mesmo que persista num lapso, momento,
ternura
numa forma, esplendor numa gravura,
encaixe na retina,
aglomerado esbelto de cor,
asas que batem mansamente, fazendo parte do vento,
linda, bela,
levemente,
lá vai ela,
misturada nas searas d´outrora que se estendiam
a perder de vista,
oceanos verdes que nos sorriam,
vergando, quando sopradas,
onduladas,
pintalgadas de papoilas vermelhas,
borboletas luxuriosas,
pontos que embelezavam
quando voavam,
passavam,
acompanhando ritmo da natureza,
buscando destinos comuns,
equilíbrio natural, rusticidade pujante,
tão formosas,
bem distintas,
lagartas que agora congelam, param na evolução,
transformação,
tempos que tudo alteram nos campos,
insensata negação,
ceifeiras que são extemporâneas visões,
searas inexistentes,
transparência que se não aprecia,
borboleta d´asas rendadas,
recordação,
fim dum encantamento,
numa época... afastamento!!!...
03
chama a chama que te ilumina
como uma borboleta na parede
onde o teu corpo te espera
lindo o fogo que a verdade encerra
no limite das asas da borboleta
como um cão a ladrar dentro
do poema
04
fala palavras
que nos apertam
o vôo da borboleta,
nesta manhã
magia que brilha
chama... gritam
no meu corpo
os ecos da noite,
sonolentos
bêbados sons
05
Ao abrigo do sol
a voz febril dos sonhos
oculta
a cada novo fonema,
o canto do melro
o vôo da borboleta indefesa
- grita a essência
da palavra -
06
brilha, ainda tens luz própria
em tuas asas
que não seja pelo chamamento,
o teu brilho, mas pelo prazer
de seres
e por esqueceres, por fim,
o que te iluminava
por ti a manhã morde o pensamento
voa com ele no cinza,
e também no azul. desfruta.
o amor é sentimentalismo, deixa-o
(fica bem na poesia dos humanos)
nada te cerceia a vida, ou prende o vôo
– sabes - a não ser tu mesma.
07
Pareces saber que é teu
Todo o tempo do mundo
Afadigas as asas na descoberta
De olores mais belos e sôfregos
Que o prazer algum dia descobriu
O minuto é apenas a eternidade
Porque catalogar a existência
Do muito apoucado de que sobrevive
Se a ânsia é o motor voraz das coisas
e as sobrevoa sem que se aquiete
nunca brilhará na chama
porque existir
08
O pintor precisa da tinta
para pintar poesias,
o poeta precisa de palavras
supra-sumo da essência
de todas as cores,
para pintar poemas
consubstanciados na vida.
A borboleta não tem cores,
ela é colorida!
As cores é do poeta,
as cores são minhas
que tento colorir
o mundo em poesias.
para pintar a vida
09
Observo-te nua de cores
Asas o vento mastiga ao teu redor
Alma sincera te aguarda
Destino dos homens devorar de ti
O que a alma guarda.
Por entre pétalas pestanejando
Sobrevoando o rio materno
Água doce da cor de um sonho
Agarra-te consumida
Nas mãos do Inverno.
Observo-te nua e perfeita
Num ritual sombreado de desconjuntura
São palavras mentidas ao vento
Nos lábios despidos de ternura.
Vestes do pó da terra a vida
Lá longe ainda se escutam sorrisos
não fosse o horizonte tão distante
Serias tu verdadeira e nós, submissos.
Respira-se ainda um pouco de sol
Rasgaste os céus com palavras mudas
As mãos no alto suplicam a um deus
Que tragas voando nas asas tuas.
Esperança...
Esperança.
10
e da queda do verso volta
a palavra, com vários solos
agarrados à pele
sim, é meu o tempo de trabalhar
a voz, estudo a poética do timbre
sua dentro de mim outro corpo
odores belos com sofreguidão
mantêm meus poros abertos
e o poema Vibra.
vibra como a flama
em cada beijo-borboleta
e cheira a suor a morte,
transfigurada em vida
somos discípula e mestre.
mais nenhuma revelação é possível,
nem é permeável a carne
com que construímos o poema.
11
... queda do verso, palavras que caem,
jeito que tem
quando convém,
poro que respira,
pele que sua,
imagem bonita, permeável que vibra,
timbre que soa,
borboleta que voa,
poética, também,
espelho côncavo, deturpante,
enganador,
figura que distorce realidade diminuta,
pequeno gigante,
todo um senhor,
extrapola-se a fonte, disfarça-se a matriz,
quase se contradiz,
sonho frontal, seara que espalha,
vento que não bule numa tarde calma,
asas com ritmo, belas, lentas,
paragem que tentas,
colapso tardio
que se arrasta, final do que esperas
naquelas terras,
quantas Primaveras,
início do Estio,
parábola que espanta,
sem doutrina moral, alegoria,
simples geometria,
equidistante dum foco, duma directriz,
como quem diz,
curva num plano
que não finge...
sem engano!!!...
12
há animais que nos ensinam
a arte das formas e cores
é assim uma borboleta
bela voando sobre flores
querendo captar do seu voo
um poema mal a descreve
nu desejo de deixar um ovo
e já «grita a palavra fim»
FIM
::: \/\/ :::
Índice de autores:
01 – Carlos Luanda
02 – Manuel Xarepe
03 – José Gil
04 – Sónia Regina
05 – Andréa Motta
06 – Sónia Regina
07 – LMCunha
08 – JASilva
09 – Paulo Themudo
10 – Sónia Regina
11 – Manuel Xarepe
12 – Francisco Coimbra
Desafio de leitura
1- Pegar no livro mais próximo
2- Abri-lo na página 161
3- Procurar a 5ª frase completa
4- Colocar a frase no blog
5- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6- Passar o desafio a 5 pessoas
"Faltava uma terceira: porque é que o destino nos tinha juntado?"
(Paulo Coelho, O Zahír, pg. 161)
As 5 pessoas:
Zénite , João Parreira , Francisco Sobreira, Ell , Auréllio
24.9.07
A Corrente da amizade
Esta corrente pode ser vista neste sítio:blogdalista.blogspot.com23.9.07
Este blog está no AXN
Amigos!
Este blog e o blog: http://blogdalista.blogspot.com; nesta data, foram filmados pela equipa do estúdio "Take 5". As filmagens com a minha entrevista sobre a utilidade dos blogs, irá para o ar a meados de Outubro, no canal AXN.
Nessa altura, aceitarei textos para publicar neste blog, de amigos e leitores queridos, é a minha prenda por todos os sorrisos que fizeram nascer, neste rosto que dizem ser de POETISA.
Ana Maria Soares da Costa mais conhecida por Ana Maria Costa
19.9.07
Um evento a não perder na cidade do Porto

A edium editores e o autor, Xavier Zarco, convidam V.Ex.a a estar presente no lançamento, no Porto, do livro de poesia: Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: Invenção de Eros, que foi distinguido com o Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá - 2007, certame organizado pelo Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em sessão a realizar no sábado, dia 29 de Setembro de 2007, pelas 15h30, no Auditório do Clube Literário do Porto (Rua Nova da Alfândega, 22). A apresentação da obra será feita pela poetisa Ana Maria Costa e pelo poeta Luís Monteiro da Cunha. Integrado neste evento haverá um espectáculo de dramatização, bailado e música.
13.9.07
Pensamentos do momentos III
gravuraI
Sons da natureza
O murmúrio
do rio pincha
nas pedras.
II
Incolor
No orvalho
a cor alarga-se
na água.
Ana Mª Costa
Et (texto não corrígido)
QuadroO previsível aconteceu ainda no ano decorrente de 2007, antes de ter comprado a minha casa. Disse o destino que eles tinham que morrer , até o ET, o meu gato companheiro de sete anos. Tratava-o como um filho, um amigo, ao mesmo tempo considerava-o um conforto pelos mimos que dávamos um ou outro. Mas ele também tinha que morrer como os outros mais que viviam connosco na casa que moravamos.
Como haviam de se adaptar ao novo espaço? E como iam sobreviver àquela estrada que atravessa a Travessa que separa as duas casas? Eles iam morrer na mesma ao atravessarem a rua, depois alguém bateria à porta que nós abríamos encarando a notícia. E como velório consideraríamos levando um saco plástico do “Continente” para recolhermos as vísceras frescas e quentes dos asfalto e do paralelo com as mãos. Os homens do carro do lixo que passa à noite seriam os cangalheiros que apanhavam o bicho defunto.
As duas casa erguidas ficavam a escassos metros uma da outra no meio estava a rua ou a Travessa melhor dizendo.
Na Travessa movimentada de pessoas que passam nos seus carros e não respeitam os bichos, e em alguns casos nem os velhos ou as crianças. São os vizinhos que moram no início da Travessa, as duas casas são quase do final, antes de uma grande curva apertada e estreita.
Por isso os gatos talvez morressem antes de eu mudar de casa e nada podia fazer para evitar que fossem atropelados. Assim foi, um atrás do outro, morreram todos menos o ET, o meu gato. O Et era um macho branco que só tinha um olhinho e não tinha rabo. Surgiu-nos no dia do casamento do meu primo Tone que vive em Guimarães; chovia muito quando chegamos a casa nessa noite, estacionamos e ao sair do carro num som muito aflitivo ouvi o miar do gato. Ficaria ali à chuva se os meus ouvidos não estivessem apurados para este género de pedido de socorro, já não era a primeira vez.
Ele apercebeu-se da nossa atenção acabando por se mostrar a nós todo molhado e barulhento. Peguei-o ao colo, cobri-o com o casaco que trazia por cima do vestido de cerimónia e imediatamente o contacto com o seu pêlo molhado e o seu ronrom me conquistaram. Já mais calmo pudemos analisá-lo era ainda um pequeno gato a precisar de mãe e leitinho quente, estava a tremer de frio e tinha um olho doente, o outro de cor azul.
Quisera a sorte termos na altura uma gata siamesa com uma ninhada estavam alojados na lavandaria que fica ao fundo das escadas. A gata era vadia mas meiga e muito doce e passado um bocado depois de o ter cheirado e lambido o pêlo deixou o Et mamar. Ficamos a vê-los a todos a mamar e a mãe estendida contente fazia ronrom, como era bonito a relação dos animais entre si…. Depois, fechamos a porta e fomos dormir emocionados mas felizes.
Já tínhamos uns poucos gatos mas era mais, encolhemos os ombros e sorrimos.
O Et crescera com os dois olhinhos sãos não fosse a doença que muitos sofrem e ele tinha dois céus no rosto. Assim só tinha. No outro, o pus e a cor vermelha levou-o ao veterinário para ser visto e tratado. O médico disse-nos que ele tinha que operar e tirar o olho do Et,.O Et foi operado e, depois da operação, quando chegou a casa porque entretanto já dormia dentro de casa como toda a ninhada e mais gatos que à noite chegavam a horas da recolhida; dormiu no nosso quarto no nosso meio. No dia seguinte a mesma coisa e por aí fora começou a saber os nosso hábitos diurnos e nocturnos, estava tão humanizado que via a televisão com atenção, atento se um de nós se levantava ele seguia-o para onde fossemos. Por vezes, com ronron, outras vezes, silencioso. De amanhã ia para fora de casa fazer as necessidades no bocado de jardim que ficava ao lado da lavandaria e permanecia em cima do muro até o chamarmos para dentro. Um dia deixei-o cá fora porque não atendeu ao meu chamamento e eu estava atrasada para o trabalho. Mais tarde quando cheguei a casa do trabalho o Et não deu ao rabo como era habitual quando me via, estava triste e quieto. apanhei-o com cuidado mesmo assim gemeu , analisei-o, apalpando o corpo até chegar ao rabo e, pronto, vi que fora atropelado porque tinha o rabo partido. Lá foi o Et novamente para o veterinário ser operado desta vez ao rabo. Agora, tínhamos ficamos com um gato branco, um olho azul e sem rabo.
Os dias passavam e mais afeição ganhava ao gato, deixava-o ganhar terreno, comíamos os dois, ele no meu colo, quando saida de uma repartição da casa ele segui-me e miava parecendo que respondia quando lhe falava. Na rua ele parecia uma cabritinha aos pulinhos por causa da falta do rabo. Todos o achavam engraçado mas ninguém lhe ponha a mão, só nós.
Nas noites em que ele se tornava muito chato, buscando festas e mais festas não se apercebendo do nosso cansaço, ponhamo-lo fora do quarto e fechávamos a porta mas por pouco tempo, porque ele miava incansavelmente até lhe abrirmos novamente a porta, como recompensa emitia um ronron ainda maior e mais alto.
O Et não fazia peripécias nem era um gato especial para o circo mas era o gato que me consolava quando estava triste, lembro-me, que naquele tempo, eu era uma mulher muito triste, ele abraçava-me com as patinhas e dava-me tantas turras na minha cara que inevitavelmente me proporcionava momentos felizes, por isso, o considerava o meu melhor amigo.
Com a idade apareceram as doenças mas antes, foi novamente atropelado, desta vez pelo meu marido que ao fazer marcha atrás na carrinha de trabalho passou com a roda por cima dele. Ele não morreu nem teve nada aparentemente mas digo que foi naquele dia que vi um gato a chorar sangue. Escusado dizer que chorei tal qual o faz uma criança.
Os anos foram passando e o Et connosco.
O Et foi o que sobreviveu à mudança para a nova casa depois de um grande período de adaptação entre cães e gatos, o paraíso parecia estar à vista.
No princípio trazia-o no meu colo para não se assustar dos carros ou ser atropelado se viesse no meio da rua até se habituar a andar ao meu lado junto ao muro e com os cães não houve problema porque o aceitaram muito bem para nosso espanto porque foram criando separadamente um dos outros.
Tudo continuaria bem e o Et não precisava de morrer até ao dia em que alguém predestinou que ele não podia entrar na casa nova porque sujava tudo com urina mal cheirosa devido ao problema de rins que lhe apareceu fazia pouco tempo. Não entrando dentro de casa não podia comer no meu colo, nem dormir comigo, nem tomar banho, nem me escutar ou abraçar nas noites mais frias como fazíamos antes. foi depois dessa ordem que o Et teve que morrer nesse ano decorrente.
Ana Mª Costa
11.09.2007
PENSAMENTOS DO MOMENTO*Ana Mª Costa / Maria José Limeira)
pinturaI
Para mim,
o céu é mais pequeno
do que para a formiga.
(Ana Mª Costa)
I
Quando o sentimento
é pequeno,
o coração não cresce
nunca!
(Maria José Limeira)
............
II
Quando as palavras
já não conseguem magoar mais,
vem o silêncio ferrar-nos.
(Ana Mª Costa)
II
É melhor o silêncio
compassivo
do que o grito mudo,
insistente,
renitente
ou agudo...
(Maria José Limeira)
............
III
Fui buscar uma árvore
para a minha beira
desenhei-lhe o teu nome
na sua ramagem.
(Ana Mª Costa)
III
Toda criança desenha
em tronco de árvore
um coração atravessado
pela flecha,
como se fosse o martírio
de São Sebastião.
(Maria José Limeira)
............
IV
Nos dias em que escolho chorar
escondo as horas nos livros,
os passos nas prateleiras
as janelas no rosto
depois contemplo o líquido escorrer feliz.
(Ana Mª Costa)
IV
Escondi folhas secas
entre páginas de livros.
Virei personagem:
vítima
e/ou
heroína.
(Maria José Limeira)
............
V
A vida dá a oportunidade de a descobrirmos
pouco o fazemos…
e nesses poucos morremos.
(Ana Mª Costa)
V
Tão pouco que descobrimos.
Tão menos que nos fazemos.
Tanta luta.
Tão pouca vida.
E por menos do que isto
morremos...
(Maria José Limeira)
9.9.07
Sob a epígrafe de José Dias Egipto
É em casa que guardo todas as minhas pedras
dentro dos livros de oração.
Ana Maria Costa
José Dias Egipto
Outra vez a casa…
Outra vez a casa…
O tumulo inconfesso
da nossa vida a sós;
o regresso sempre imaginado
ao lado mais uterino de nós…
Outra vez o quarto, a sala,
o cheiro das roupas penduradas,
os lugares da alegria e do pranto;
fragrâncias de momentos do tempo,
carne nossa, partilhada, que jaz em cada canto…
De novo os livros que forram as paredes,
nossos íntimos horizontes,
uma outra pele lisa, amarelecida e calva;
aconchego e luxúria do espírito,
rede, tantas vezes, que nos prende e que nos salva…
Tirem-me tudo da vida que eu aguento!
Mas deixem-me ouvir os sons da casa,
a música e as vozes do meu jardim partilhado.
Porque sem esse unguento de luz e de gente
ficarei cego e gélido mesmo no calor da maior brasa!...
José Dias Egpto
3.9.07
Pensamentos do momento II
Pintura
Para mim,
o céu é mais pequeno
do que para a formiga.
II
Quando as palavras
já não conseguem magoar mais,
vem o silêncio ferrar-nos .
III
Fui buscar uma árvore
para a minha beira
desenhei-lhe o teu nome
na sua ramagem.
IV
Nos dias em que escolho chorar
escondo as horas nos livros,
os passos nas prateleiras
as janelas no rosto
depois contemplo o líquido escorrer feliz.
V
A vida dá a oportunidade de a descobrirmos
pouco o fazemos…
e nesses poucos morremos.
Ana Mª Costa
2.9.07
Bosco Sobreira
QuadroPude então dedicar-me ao idiota prazer de engolir e soltar fumaça. Enquanto fumava, assistia à rotina do hospital estender-se diante de meus sentidos. Vozes abafadas, murmúrios, gemidos, gritos, lamentação; gente apressada, expressões carregadas, densas, sombrias, e o cheiro, o cheiro do éter, das emanações dos corpos, das excreções humanas misturam-se ao cheiro característico da doença, penetra pelas narinas e lá permanece, grudado como uma ostra podre, refratário às águas, aos perfumes. O cheiro dura dias; depois de algum tempo não é mais o cheiro, é a memória do cheiro, o que dá na mesmíssima coisa.
Tudo isso sempre me incomodou. Desde os primeiros dias de faculdade. Como eram diferentes meus colegas! Enquanto metiam-se todos em plantões intermináveis, remexendo em tudo que era canto, dormindo sobre macas imundas, comendo sanduíches em meio a fezes e pus, eu procurava me esquivar o quanto fosse possível, cumprindo apenas o mínimo do mínimo exigido pelo currículo ordinário. Nunca me alvorocei na procura de estágios, nunca me meti na briga de foice por uma vaga em hospitais respeitáveis ou nos açougues humanos em que se transformaram algumas clínicas de periferia. Talvez, talvez não, certamente por isso pensei em me tornar sanitarista. À época, procurei dar um tom de grandiosidade a esse gesto, como se gesto de grandeza houvesse; magnânima renúncia, desmedido sacrifício, tudo em nome de minhas convicções políticas. Não queria servir à burguesia odiada; não me imaginava sujando as mãos em consultórios atapetados e bem-cheirosos, protegido da miséria do povo, a doença maior. Queria servir a meu povo, preparar-lhes o corpo e a alma para que sadios pudessem servir à causa revolucionária.
Um tio materno, quando soube de minha escolha e suas razões, não se conteve:
“Muito bem, Fulano! Vai tratar das lombrigas dessa cambada, engordá-los, pra depois enfiá-los como porcos cevados na revolução? Muito certo. Pelo menos morrem todos gozando da mais perfeita saúde…”
Não nego que me senti agredido. No momento, apenas sorri. Mas, verdade seja dita, por algum tempo a lembrança foi ganhando pele e quase vira mágoa. Tolice!
Brigas bestas, rancores tolos, mágoas à-toa, tudo por uma escolha que eu, sem que soubesse, fingia acreditar virtuosa.
O cigarro ia assim pela metade, e eu fiquei a conceber tolices:
Melhor seria que o estudo dos chamados sublimes valores humanos fosse excluído definitivamente da Ética, e que as virtudes, exiladas para sempre de seus ricos castelos e despojadas de suas pompas e privilégios, ficassem assim como vísceras abertas ao tempo e aos tapurus. Talvez a Ética, essa ética de paramentos e biscuits, nem devesse existir, por dispensável. Superfluidade de bacharéis e enfastiados. Pareceu-me, naquele momento, que as virtudes seriam melhor compreendidas à luz da Geometria Analítica, visto que, a meu parco juízo, tudo não passa de uma simples questão de ângulos de observação. Um ato, visto de um plano em dada angulação, é uma virtude; enviesando-se o plano, o mesmo ato passa a ser capitulado no rol dos mais ignominiosos defeitos. Não é assim? O mais elevado altruísmo pode esconder o mais desprezível egoísmo; um sujeito humílimo não é por vezes profundamente orgulhoso de sua humildade?
O cigarro terminou. Atirei a guimba fora, assustando dois calangos que se repastavam nas ramagens secas. Um deles perdeu-se dos companheiros e disparou em minha direção. A certa altura, estacou abruptamente e ficou me espiando. Mas logo se cansaria dessa monotonia e saiu balançando energicamente a cabeça. Calangueando. Lembrei-me da enfermeira-chefe.
No final do corredor, dois sujeitos da limpeza jogavam dama nos ladrilhos recém lustrados; tampinhas de garrafa e sementes eram pedras. Uma enfermeira gorda e bicuda ausentava-se do mundo, movendo graciosamente as agulhas do seu crochê. Um doente velho, seco e verde como um louva-a-deus, removia a terra do jardim. Nostalgia do sertão.
O relógio da Basílica disparou os sinos por dez vezes. Decidi ganhar a rua.
©Bosco Sobreira
Sónia Regina
Fíguramonólogo: “motocontínuo”
" - a minha falta de sentido é tão própria
eu diria mesmo que...irredutível
talvez vos dê uma dimensão do susto
a mim, inferniza os cabelos,
por isso escrevo
: o processo da escrita amortiza
e o poema, ah, o poema me embeleza
a alma, o corpo, a vida, a música,
tudo. Tudo brilha, é colorido, há frescor
o desfocado se acerta, nada perturba
[nem a imagem]
o eu - escritura de mim –
motocontínuo.”
Sónia regina
29.8.07
Carlos Luanda sob epígrafe de Sónia Regina
"a seiva borbulha a cada a corde"
de: Sonia Regina, in – "uma flor no outono"
Sons...
esses perdidos.
Escondem solidões com ruídos.
Desejos com gritos
E gritos com as seivas dos corpos,
Malditos!
Quero só o silêncio sem sentido.
Calado e quieto
Como uma nesga de céu
Embrulhado numa asa
em cima dum ramo dormindo.
Ouvem a escuridão que digo?
Não é preciso.
A solidão contenta-se com os acordes
de nenhum som ter conseguído.
Carlos Luanda








