

Sem ti
Sem ti a chuva continua a cair,
a pele do sorriso fecha a boca e
as águas correm e as nuvens passam.
Não as consigo apanhar, estou cansada de correr nas paisagens das fotografias.
Sem ti, as ondas do mar envolvem a areia e as gaivotas voam livres pelo céu.
O céu que preservas no frigorífico. Não entendes que
Sem ti, o tempo corre, as pessoas vagueiam e a existência quotidiana continua.
Eu continuo...
à espera sentada numa pedra nua com toda a noite, ao meu lado.
Mas sem ti eu paraliso, o meu corpo torna-se desnecessário, os meus sentidos são amortiçados.
No quarto da língua o calor faz amor com a minha espuma.
Enlouquecidos os sentidos saem pelo nariz para as minhas mãos, mas mesmo assim...
Sem ti não existe manhã, tarde, noite, minutos, horas, apenas um tempo…uma agitação,
Fica o espaço no cimo da torre da igreja onde os átomos badalam a química das pombas sobre a tua estátua
longe de mim que me gela o sangue e me provoca lágrimas oprimidas.
Encho almofadas de penas umas partidas e outras gastas de tanto te escrever e não responderes, sabes que
Sem ti não existo como corpo, como mulher, como afago, sou escuridão cativa deste mundo.
Vera Carvalho e Ana Mª Costa
































